O ligeiro aumento da taxa de natalidade registada no ano passado em Portugal é «uma tendência que não se vai manter em 2009» devido à crise económica, sejam quais forem as políticas de incentivo, consideram vários especialistas.

Por ocasião do 1.º Congresso Nacional da Maternidade, que começa esta sexta-feira em Lisboa, especialistas contactados consideram que a ligeira subida da taxa de natalidade registada em 2008 é «uma tendência que não vai continuar em 2009 devido à crise económica», diz a Lusa.

«Não se vai manter porque sejam quais forem as políticas de incentivo à natalidade é preciso que, sobretudo, os casais jovens tenham uma certa segurança no trabalho», disse a alta-comissária da Saúde, Maria do Céu Machado.

«Os filhos são desejados mas também programados, e não me parece que este seja um ano muito propício para ter filhos», acrescentou a pediatra.

Em Portugal, depois de em 2007 se ter registado um mínimo histórico na natalidade (a taxa atingiu pela primeira vez um saldo negativo de menos 0,01 por cento), houve um pequeno aumento em 2008.

Isto apesar dos incentivos à natalidade recentemente introduzidos em Portugal, como o apoio financeiro directo às grávidas, os apoios para aumentar as creches públicas e o alargamento da licença de parentalidade, sublinhou Maria do Céu Machado.

No entender de Maria do Céu Machado, as medidas de apoio à natalidade postas em marcha pelo Governo são «bons incentivos que reflectem alguma preocupação da tutela com a baixa da natalidade, mas que por si só não vão conseguir inverter a situação».

Opinião partilhada pelo presidente do Colégio de Especialidade de Ginecologia e Obstetrícia da Ordem dos Médicos, Luís Graça, que sublinhou que existem «vários aspectos» ligados à vida profissional das mulheres portuguesas que reduzem a possibilidade de estas terem mais filhos, nomeadamente as carreiras e a pressão profissional.