O ministro das Finanças, Mário Centeno, considerou que o executivo está a trabalhar na direção certa para que a economia portuguesa cresça, sublinhando que os dados revelados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) confirmam essa tendência.

"Estou certo de que estamos a dar passos essenciais para a recuperação da nossa economia. Estou também convicto de que conseguiremos alcançar bons resultados. É essa a nossa missão, que os dados hoje revelados pelo INE relativos ao défice do primeiro trimestre confirmam", afirmou o governante.

Mário Centeno, que discursava durante o encerramento da conferência comemorativa do 25.º aniversário da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), que se realizou em Lisboa, vincou que estes dados não são os únicos que mostram o trabalho desenvolvido pelo Governo no sentido da retoma económica.

"A propósito do Programa Nacional de Reformas, a Comissão Europeia pronunciou-se no sentido de considerar que Portugal revela um grau de ambição suficiente para fazer face aos seus desequilíbrios excessivos, apresenta medidas relevantes para dinamizar a competitividade e reduzir a dívida privada", realçou.

Segundo Centeno, Bruxelas também "reconhece que, pela primeira vez, Portugal terá um défice inferior a 3%" e que "a execução orçamental encontra-se em linha com os objetivos fixados no Orçamento do Estado, como confirmam os dados hoje divulgados pelo INE".

De acordo com o INE, o défice das administrações públicas, em contas nacionais, foi de 3,2% (-1.406,1 milhões de euros) do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre deste ano, face ao valor do primeiro trimestre do ano anterior, em que o défice foi de 5,5% do PIB (-2.344,6 milhões de euros).

"Esta redução de 2,3 pontos percentuais excede a melhoria projetada para o ano, que é de 0,9 pontos percentuais no Orçamento do Estado para 2016", assinalou o ministro.

Centeno frisou que "o défice em 2015, excluindo a capitalização do Banif, se situou nos 3,1% do PIB e que o Orçamento do Estado prevê um défice de 2,2%. Feitas as contas, é uma redução de défice orçamental de 939 milhões de euros quando a diminuição prevista para a totalidade do ano é de cerca de 1.300 milhões de euros".

Ainda assim, não é tempo de cruzar os braços e o compromisso que temos com o país continua a ser o mesmo. Queremos alcançar as metas orçamentais definidas e que permitirão a saída de Portugal do procedimento por défices excessivos".

O governante vincou que "é essencial uma gestão orçamental rigorosa" e garantiu que "é por esse caminho" que o Governo vai continuar a seguir "em tempos de acrescida incerteza na União Europeia".

O ministro também realçou que a execução orçamental até maio comprova que aquilo que foi observado no primeiro trimestre se prolongou nos dois meses seguintes do ano.

"A melhoria do défice orçamental global até maio é muito substancial quando comparado com o ano anterior. Foi com determinação que conseguimos estes resultados e é com determinação que os iremos manter", afirmou.

Centeno deixou ainda uma palavra para a votação realizada na quinta-feira no Reino Unido, que ditou a vitória dos partidários pela saída do país da União Europeia.

"É exemplo de alteração de quadro institucional a que Portugal tem que se mostrar preparado para se ajustar. A colaboração institucional estreita entre Portugal e o Reino Unido - um parceiro institucional e comercial muito antigo e com um dos mercados financeiros mais relevantes da Europa - deve continuar a merecer o maior cuidado", rematou.