"Quem querem para Presidente da República?" Esta foi a questão que Maria de Belém deixou este domingo aos portugueses, num discurso em Almeirim. A candidata presidencial considera que os portugueses devem avaliar o perfil dos candidatos a Belém e que esta avaliação deve pesar na escolha do chefe do Estado, nas eleições de 24 de janeiro. Belém deixou perguntas aos eleitores, carregadas de críticas aos adversários, e avisou que o "o tempo não está para aventuras ou experimentações".

"Quem querem para Presidente da República? Alguém que diz uma coisa e depois diz outra? [crítica a Marcelo] Alguém que tem grandes habilidades retóricas, mas nunca mostrou nada na prática, que tem um discurso encantatório, mas que não tem densidade de concretização? [crítica a Nóvoa] Alguém que é capaz de sozinho ir contra tudo aquilo que resulta de negociações impostas? [crítica aos candidatos mais à esquerda] Ou querem alguém que ja tém provas dadas?"


No Cine-Teatro de Almeirim, a ex-presidente do PS fez o primeiro discurso da campanha, perante um auditório longe de estar cheio. Belém destacou que a sua candidatura pretende invocar "causas de sensibilidade", que sejam "concretizáveis" e "não mera retórica". E nisto, a ex-ministra atirou a deixa: "a retórica era uma forma de fazer política no tempo velho". Uma deixa, em jeito de recado, para Sampaio da Nóvoa, cujo slogan de candidatura é "Novo tempo, novo Presidente".

"A retórca era uma forma de fazer política no tempo velho."

Caso seja eleita, Belém promete fazer cumprir a Constituição, usando os seu poderes, mas também respeitando "a separação de poderes".

As mulheres mereceram ainda destaque neste primeiro discurso. Maria de Belém afirmou saber melhor do que qualquer outro candidato homem as dificuldades que as mulheres enfrentam em tempos de crise.

"Quando há crises são as mulheres que têm rendimentos e remunerações mais baixas, que têm mais difoculdades em encontrar emprego. Essas injustiças têm de acabar." 


A socialista apelou ao voto dos portugueses e ao combate à abstenção a 24 de janeiro. E deixou um aviso: "O tempo não está para aventuras e para experimentações. Os erros das escolhas duram sempre pelo menos cinco anos".