O antigo líder social-democrata Marcelo Rebelo de Sousa disse não ter existido qualquer «zanga» com o atual presidente, apenas «opção política» para as eleições presidenciais de 2016.

«Nunca estivemos zangados. Não é um problema de zanga, é um problema de opção política», justificou, sobre o episódio de janeiro, no qual o primeiro-ministro, Passos Coelho, definiu um perfil de candidato a Belém que devia evitar ser uma «espécie de protagonista catalisador de qualquer conjunto de contrapoderes ou catavento de opiniões erráticas em função da mera mediatização gerada em torno do fenómeno político».

O comentador político interpretou na altura que o líder social-democrata se estava a referir à sua pessoa e autoexcluiu-se de uma futura candidatura à Presidência da República.

À saída do Coliseu dos Recreios, o ex-líder do PSD foi também questionado sobre a escolha de Passos Coelho para encabeçar a lista da direção ao Conselho Nacional.

«Eu disse que o primeiro-ministro tinha umas teimosias. As teimosias têm virtudes e têm defeitos. Uma das teimosias é esta. Acho que, no fundo, ele quis dizer a Miguel Relvas - eu afastei-te, mas isso não foi nada de desconsideração pessoal, de quebra de lealdade», comentou.

Relvas, «braço-direito» do líder na versão inicial deste executivo da maioria PSD/CDS-PP, demitiu-se há quase um ano. Enquanto pertenceu ao Governo, o ex-ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares esteve envolvido em diversas polémicas, nomeadamente a da sua licenciatura na Universidade Lusófona e as suas ligações a membros dos Serviços de Informações.

«Quando mete uma coisa na cabeça, mesmo que lhe traga riscos, ataques, dissabores, complicações, é teimoso...», continuou Rebelo de Sousa sobre esta opção de Passos Coelho.

É inevitável PS e atual maioria estabelecerem consensos a partir de junho

O antigo presidente do PSD defendeu que é inevitável PS e atual maioria estabelecerem, a partir de junho deste ano, após as eleições europeias, consensos duradouros sobre várias matérias.

«Qualquer que seja o resultado das eleições que vêm por aí, e a missão dos sociais-democratas é vencer essas eleições, quer as europeias, quer as legislativas, há uma coisa que já toda a gente percebeu, e é o drama de António José Seguro», começou por afirmar Marcelo Rebelo de Sousa.

«Até António Costa já percebeu, o que é um problema, porque percebeu muito antes de António José Seguro: é que vai ser necessário haver consensos duradouros no futuro próximo», completou o antigo presidente do PSD, considerando que isso terá de ser feito «entre junho de 2014 e a primavera de 2015».

Segundo o comentador político, terá de haver necessários entendimentos, não só sobre o défice e a dívida, mas sobre matérias como o papel e a organização do Estado, o setor social e o setor privado, organização do Estado, sobre políticas de crescimento e de emprego e políticas sociais: «Vai ser i-ne-vi-tá-vel, seja quem for Governo, seja quem for oposição».

Admitindo que seja difícil ao secretário-geral do PS, António José Seguro, estabelecer acordos com a atual maioria PSD/CDS-PP antes das europeias de 25 de maio, Marcelo Rebelo de Sousa disse que «logo a seguir às eleições, vai ser preciso tratar desse dossiê sério».

«Há que ter a frieza de pensar no país e de perceber que não há razões eleitorais que levem a que não se sentem à mesa e ajustem o que têm a ajustar», apelou, defendendo que «há condições para não ter de se improvisar consensos no final de 2015 e começo de 2016, porque isso já tem custos financeiros, custos económicos e custos políticos».

Marcelo Rebelo de Sousa sustentou que António José Seguro cometeu um erro e perdeu uma oportunidade para mostrar autoridade interna e externa ao não definir "zonas de consenso" com a atual maioria.