O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, sustentou esta segunda-feira que apesar das "dúvidas e angústias" a CPLP "está viva e é politicamente importante" e sublinhou que nenhum Estado membro pode prescindir da comunidade "por poderoso que seja".

No discurso na cerimónia que assinalou os 20 anos da CPLP [Comunidade dos Países de Língua Portuguesa], em Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa destacou o interesse de outros países e de outras comunidades na entidade que, 20 anos depois da sua fundação, "só pode ter mais futuro do que passado e presente".

"É raro passar-se um mês sem se formular o desígnio de uma nova candidatura pretendendo obter o estatuto de observador associado", exemplificou o Presidente da República, destacando que "a mesma tendência" ocorre na sociedade civil, com um "elevado número" de entidades interessadas no estatuto de observador consultivo.

Numa altura em que se prepara no Brasil uma deliberação sobre a nova visão estratégica da CPLP, Marcelo Rebelo de Sousa considera que se pode acreditar no futuro da organização "para além das angústias e das dúvidas, das indecisões e dos compassos de espera de cada momento".

Em primeiro lugar, considerou, "todos percebem dentro da comunidade, que quando essa comunidade é desejada por outros países terceiros, é um sinal que está viva e é politicamente importante".

"Segundo, porque aquilo que nos une é mais significativo do que aquilo que nos possa dividir. Em terceiro lugar, porque não há nenhum Estado-membro que possa prescindir de considerar a comunidade como uma peça chave da sua estratégia a nível nacional. Por poderoso que seja", disse.

Quanto a Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que "mantém-se tão empenhado como sempre" e como esteve na sua fase precursora, enquanto Estado "fundador e membro de pleno direito, no respeito pela regra do consenso como princípio decisório".

A pertença à CPLP, defendeu, "é um trunfo insubstituível" para todos os países membros.