Nem tudo de Centeno e muito menos de Bloco ou PCP. Para Manuela Ferreira Leite, antiga ministra das Finanças de governos PSD e atual comentadora da TVI24, a solução para o país que o Governo deveria perseguir era a de privilegiar o crescimento económico. E não tanto a redução do défice, como considera que ficou subjavente no artigo de Mário Centeno escrito esta semana no jornal Público.

Olhando para o ministro das Finanças e para o querem Bloco ou PCP, nenhuma está com razão. Tudo o que ele lá diz é verdade. Desenvolve a ideia de que política que tem sido definida tem grandes êxitos, mas percebe-se que a reduição do défice continua a ser a prioridade. Do meu ponto de vista, o défice deve ser controlado, não se deve fazer asneiras, mas não tem nenhum sentido que seja a primeira prioridade", advogou Ferreira Leite.

Para Ferreira Leite, faltou a Centeno dizer que "só consegue eliminar o peso da dívida, seguindo esta política, daqui a 30 anos, o que não me consola".

A verdadeira prioridade é crescimento económico, porque se for sustentável a dívida vem por aí abaixo", defendeu a antiga ministra, que lamenta ainda que no texto de Mário Centeno "não haja referência às empresas e empresários". Até porque, para Ferreira Leite, "há folga para baixar impostos às emperas sem afetar as contas do Estado".

Apesar das exigências de Bloco de Esquerda e PCP, para que a folga orçamental prevista para esta ano seja aplicada em serviços públicos - Ferreira Leite acha que a tensão com o Governo é apenas "uma mise em scène a que não poderiam fugir PCP e Bloco".

Acho que é aquilo que é normal fazer em política, para agora lhes darem qualquer coisita", expôs a comentadora, para quem "este teatro não é completamente mau, porque tem de levar o PS a definir-se, sobre se afinal só lhe interessam os números de Bruxelas".