Os representantes das confederações empresariais e das centrais sindicais reunidos nesta quinta-feira com o ministro da Economia não manifestaram grande entusiasmo com as medidas apresentadas pelo executivo para melhorar a competitividade do país, cada qual com os seus argumentos.

O Governo apresentou-nos um documento que define medidas, algumas boas, mas agora é o tempo de fazer e não de prometer. O tempo novo anunciado devia ser de concretizar", afirmou aos jornalistas António Saraiva, líder da Confederação Empresarial de Portugal (CIP) no final do encontro com Manuel Caldeira Cabral, reforçando: "O que disse ao senhor ministro é que é preciso fazer, porque as promessas são anunciadas mas não são concretizadas."

Por seu turno, Arménio Carlos, secretário-geral da CGTP, considerou que "há uma disfunção" nas propostas do executivo de António Costa, já que "quando se fala de competitividade, tem de se levar em conta o lado das empresas, mas também o dos trabalhadores".

Segundo o líder sindical, "o documento [hoje apresentado aos parceiros sociais] não aborda as questões sociais, estando mais voltado para a recapitalização das empresas, quando os mais afetados durante os últimos quatro anos foram os trabalhadores".

Nesse sentido, Arménio Carlos reivindicou que o Governo "dê mais atenção àquilo que se denominou de capital humano".

Já João Vieira Lopes, presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), apelidou de "genérico" o documento apresentado por Caldeira Cabral, ainda que reconhecendo que há "algumas medidas positivas".

Não ficámos muito animados com o modo como as coisas foram apresentadas. O documento está muito longe da eficácia necessária", declarou.

Quanto à UGT, representada por Paula Bernardo, considerou as propostas governamentais demasiado focadas na capitalização das empresas, sem aposta recíproca nos recursos humanos.

O documento aborda superficialmente as questões dos trabalhadores", criticou.