O presidente da Câmara do Funchal, Paulo Cafôfo, acusou esta quinta-feira a TAP de estrangular a economia e considerou que a luta contra a estratégia da companhia, conjunta com o autarca do Porto, é um assunto “de interesse nacional”.

“O que se verifica hoje, tanto no Porto como na Madeira, é um estrangulamento da economia por parte da TAP. Se [a empresa] é pública, tem de fazer serviço público. E serviço público não é Lisboa. A Madeira e o Porto necessitam de uma transportadora que sirva os interesses nacionais. Estou a falar da coesão territorial e, no caso da Madeira, da continuidade territorial”, frisou Paulo Cafôfo, numa conferência de imprensa conjunta com o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira.

Cafôfo revelou ainda que o Porto e o Funchal querem acertar uma “estratégia comum” que vai além dos dois concelhos, por estar em causa “o interesse nacional” e o “desenvolvimento integral do país”.

“O que estamos a discutir é muito mais do que o Funchal e o Porto. Estamos aqui a discutir o interesse nacional. Queremos o desenvolvimento integral do país. Coeso, não é só uma parte”, frisou o autarca do Funchal.

Paulo Cafôfo notou ainda que a luta travada por Moreira contra a estratégia da TAP não está relacionada com qualquer “questão de protagonismo”.

“Fomos eleitos para defender os interesses da população que nos elegeu. Houve uma reversão na privatização de uma companhia. Uma companhia de bandeira nacional tem de ter uma estratégia para todos”, frisou.

O presidente da Câmara do Funchal não quis adiantar detalhes sobre a estratégia conjunta com o Porto, dizendo apenas haver a necessidade de “articular uma posição política” e que, “a seu tempo poderão haver outras ações em conjunto”.

De acordo com Paulo Cafôfo, a TAP fez uma “redução brutal de voos” no Funchal.

“Setenta e quatro voos é dramático numa região como o Porto e naquilo que possa significar no peso dos negócios, sejam interesses empresariais sejam de turismo. As dores que o Porto já o Funchal sente há mais tempo”, afirmou.

Segundo o autarca, Funchal perdeu ligações a Londres, África do Sul e Venezuela, para além de ter assistido a uma “redução da frequência de voos nas linhas que ainda existem”.

“Do ponto de vista económico há aqui um estrangulamento da companhia área”, sublinhou.

Cafôfo alertou que o Funchal e a Madeira “se ressentem com sistema de mobilidade para apoio e subsidio aos residentes”, porque “a TAP pratica preços elevadíssimos” e as companhias “low cost praticam preços muito idênticos”.

“Existe um teto máximo de 400 euros para apoio ao residentes. As companhias colam-se a esse teto e a TAP não se diferencia. Pelo contrário, usa e abusa desse valor”, lamentou.

Nos últimos meses, Rui Moreira tem criticado a estratégia da TAP para o Porto e admitiu “apelar ao boicote da região” à transportadora, acusando-a de ter em curso uma estratégia para “destruir o aeroporto Francisco Sá Carneiro”, e construir, em Lisboa, “um novo aeroporto e uma nova ponte”.

A “guerra séria” que Moreira disse ter em curso contra a TAP deve-se, em parte, à suspensão de quatro rotas europeias que a TAP diz representarem um prejuízo de 8,02 milhões de euros, ao passo que a autarquia do Porto garante terem uma “ocupação média de 90%”, representando “o transporte de perto de 190 mil passageiros, em 1.867 voos de ida e volta”.

Os presidentes das câmaras do Porto e do Funchal encontraram-se hoje na Casa do Roseiral para debater temas relacionados com o turismo e ligações aéreas.