Por: Redacção | 31- 7- 2009 11: 39
Bobby Robson morreu esta sexta-feira, 31 de Julho de 2009. O antigo treinador lutou durante muitos anos contra o cancro,
mas nunca perdeu o interesse pelo futebol e a jovialidade. Leia aqui as impressões de Robson sobre José Mourinho e Ronaldo.
Este artigo foi originalmente publicado a 25 de Julho de 2007
Sir Bobby Robson, ex-treinador de Sporting
e F.C. Porto, não se esquece de José Mourinho, mais propriamente dos tempos em que trabalhou com ele. Tudo mudou nos últimos
anos, principalmente a relação entre os dois, conforme refere em entrevista ao jornal «The Guardian».
Olhando à distância
para o duelo entre Wenger, Ferguson e o seu ex-aluno, Robson recorda os tempos em que o actual campeão inglês era apenas um
aprendiz. «Na primeira vez que nos vimos apresentou-se no aeroporto da seguinte forma: ¿Olá, Mister. O meu nome é José Mourinho
e o presidente contratou-me para ser o seu intérprete. Espero fazer um bom trabalho, Mister¿. Ele tratava-me sempre por Mister.
Era assim o José. Muito agradável, muito respeitável, com muito bom aspecto. Se eu dissesse algo duro e directo, nunca tentava
aligeirar na tradução. José era forte, mas desenvolveu uma relação positiva e agradável com toda a gente. Os jogadores adoravam-no»,
conta.
Robson relata momentos bem conhecidos para o público português. «Uma das minhas imposições quando mudei para
o Barcelona foi que o José tinha de me acompanhar. Deviam tê-lo visto com Ronaldo, que eu tinha acabado de contratar. Ronaldo,
no curto tempo que o tivemos em Barcelona, foi fenomenal. Não havia raparigas para ele na altura. Não havia discotecas, moda,
brincos ou grandes carros. Tinha a necessidade de ser um grande jogador, por isso ouvia José. Não importava que José nunca
tivesse feito nada como jogador. Com um jovem génio como Ronaldo, ele era perfeito. José sabia como falar com ele», revela
o ex-treinador inglês.
Os conselhos do professor
Apesar de todos os sucessos alcançados como treinador,
nomeadamente no F.C. Porto, Robson confessa que teve algumas dúvidas quando Mourinho partiu para Inglaterra. «Receei realmente
pelo futuro de José quando ele veio para o Chelsea. A Premiership é um desafio poderoso e pensei que precisasse de uma ajuda,
talvez de um mentor, que o guiasse na transição», frisou, dizendo que o facto de não o ter consultado foi um sinal de confiança:
«Isso surpreendeu-me. Pensava que me ia ligar. Mas só veio ver-me depois de assinar contrato».
O simpático Bobby
acompanha a carreira do discípulo com entusiasmo e só se queixa da acção do Chelsea nos casos Ashley Cole e Frank Arnesen.
«José, e o Chelsea, deviam ser mais cuidadosos e tentar não pisar a linha. Também diria a José para manter a boca fechada.
Por que é que ele está a tentar envolver-se em assuntos que não são do seu domínio? Se eu estivesse no Chelsea dizia-lhe:
¿José, afasta-te do assunto. Eu lido com isto por ti¿», abordou
Apesar dos métodos utilizados, Robson antevê uma
dupla de sucesso entre Mourinho e Arnesen, até porque já trabalhou com este último no PSV. «Disseram-me que eles só se conheceram
neste verão. São pessoas do futebol. Frank foi jogador, trabalha muito e é um entusiasta, o que agradará a José. Frank também
vai gostar do estilo de José. Têm a mesma idade, por isso podem fazer a combinação ideal. E o José tem essa vontade insaciável
de obter mais sucesso», referiu, não tendo qualquer dúvida sobre o que estava a dizer.
Programação - Semana de 10 de Fevereiro a 16 de Fevereiro
Mais FutebolPrograma de desporto irreverente! Hoje às 22:30h.
25ª Hora - Sexta-feiraHoje com João Pereira Coutinho
Observatório do Mundo«O Cosmos» às 20h03.