Antoine Deltour, um francês de 28 anos ex-funcionário de uma das principais subsidiárias de contabilidade que colaboravam com o governo luxemburguês, foi a origem da esmagadora maioria das denúncias. No passado dia 29 de Junho, um tribunal luxemburguês absolveu o jornalista que primeiro noticiou as fugas de informação, Edouard Perrin, mas condenou Deltour, receptor do prémio Cidadão Europeu 2015 do Parlamento Europeu, a uma multa e pena suspensa por roubo de informações e violação de segredos empresariais.

Apesar de uma reação escandalizada por parte de vários setores da sociedade civil europeia e de vários eurodeputados (incluindo portugueses), a imprensa portuguesa não pareceu minimamente interessada no destino deste "whistleblower".

Interesse também não se viu na cobertura da discussão e votação final no plenário do Parlamento Europeu do relatório da TAXE 2, a comissão parlamentar de inquérito europeia que se baseou nas revelações luxemburguesas para investigar e redigir um documento conjunto, onde propõem  dezenas de medidas para combater a evasão fiscal no espaço da União. Com 514 votos a favor, 62 contra e 125 abstenções, um dos mais importantes relatórios duma comissão de inquérito europeu também não mereceu a cobertura dos órgãos de comunicação social lusos.

Tal como os Panama Papers,a investigação inicial foi divulgada pelo consórcio Internacional dos Jornalistas. E tal como os Panama Papers, parece destinado a ser um assunto que apenas cativa a atenção dos nossos jornalistas no seu nascimento, mas não na sua conclusão.