A morte de José da Silva Lopes, conhecida ao início da noite desta quinta-feira, motivou logo uma reação do Nobel da Economia Paul Krugman que, hoje mesmo, escreveu um artigo no «The New York Times» a recordar o «papel crucial» que o ex-economista teve em Portugal e como foi para si uma fonte de inspiração.
 

«Notícia triste: Jose da Silva Lopes, economista e ministro do governo Português, que desempenhou um papel crucial na integração do seu país na comunidade da Europa democrática, acabou de morrer»


O Nobel da Economia diz mesmo que aprendeu muito com Silva Lopes. Conta dois episódios: um quando lhe disse uma máxima que fixou até hoje:

«'Quando eu tenho reservas cambiais para seis meses, então não tenho reservas' - foi uma inspiração fundamental para o meu trabalho inicial sobre crises cambiais»

E ainda outra: no momento em que, em Portugal, «uma nação de baixos salários», as exportações de têxteis dispararam, Silva Lopes disse:

«Nós não somos uma república de bananas, somos uma república de pijamas»


Krugman destaca várias vezes o seu sentido de humor. Recorda que conheceu Silva Lopes em 1976, quando fez parte de um grupo de estudantes do MIT que passou o verão a trabalhar no Banco de Portugal, onde o economista português desempenhava as funções de governador. 

E mais uma vez brinca, dizendo que o economista português deve ter ficado «horrorizado» com aqueles estudantes «grosseiros», ainda por cima quando estava a tentar lidar, «ao mesmo tempo», com o «caos de um sistema político ainda instável», depois da Revolução do 25 de Abril. 

«Mas mostrou inabalável bom humor e inteligência (...) Na verdade, uma anedota: nós estávamos a trabalhar em um espaço alugado fora do Banco, e havia uma equipa comercial soviética no andar de cima. Nós brincámos com ele que os russos podiam estar a escutar-nos; ele respondeu: «Eu não me importo com o que os russos podem descobrir, é com a imprensa que estou preocupado!»

O Nobel sublinha que Silva Lopes teve uma «ilustre carreira». Reconhece que fez muito mais do que ele sabia, incluindo a reforma tributária. Reencontraram-se em Lisboa, há dois anos. «Fiquei honrado e feliz por vê-lo novamente. Se lerem os seus comentários, vão ver que a sua língua estava tão afiada - e bem humorada - como sempre». E remata:

«O mundo perdeu um grande, bom, e incrivelmente simpático homem»

O Presidente da República, Cavaco Silva, também considera Silva Lopes uma «referência cimeira do pensamento económico português».

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, também emitiu uma nota de pesar, recordando que Silva Lopes serviu o país com «isenção e dignidade».

O secretário geral do PS, António Costa, também recordou a sua «brilhante carreira»