A Associação José Afonso organiza no domingo, na Casa da Música, um concerto evocativo do cantor e poeta, com a presença de diversos artistas e que tem já lotação esgotada desde finais de setembro, escreve a agência Lusa.

João Afonso, João Loio, Francisco Fanhais, Uxia, António Capelo, Manuel Freire e José Medeiros são alguns nomes dos artistas que vão evocar a obra de Zeca Afonso, num concerto na Sala Suggia que serve também para comemorar o 26º aniversário da associação constituída no ano da morte do cantor e poeta.

«É um concerto único e irrepetível», afirma Paulo Esperança, um dos organizadores, já que «há músicos pela primeira vez vão estar em palco a tocar em conjunto e provavelmente isto não se vai repetir».

O concerto, intitulado «Enquanto Há Força», tem a direção musical de Guilhermino Monteiro e será possível ouvir músicas de José Afonso mas também de autores que lhe são próximos. O encerramento, por exemplo será feito com o tema «Confederação», de José Mário Branco cantado por um coro de 50 vozes.

A associação considera importante «celebrar a vida e o exemplo de cidadania do José Afonso, mas também dar a conhecer a sua obra, nomeadamente a obra poética, que em nossa opinião e na opinião dos estudiosos não é muito conhecida».

Paulo Esperança assume que, em maio, quando foi determinado que era o Porto que organizava o concerto, que partiu para a iniciativa com muito receio. «São novecentos e tal lugares, a vida está difícil, é a um domingo e tivemos algum receio na organização, receio esse que não se confirmou, uma vez que desde 28 de setembro os bilhetes estão esgotados».

«Se calhar, para o ano vamos organizar um concerto no estádio do Dragão», diz ele, com ironia.

Questionado sobre aquilo que, se fosse vivo, José Afonso poderia cantar nos dias de hoje, Paulo Esperança acha que «ninguém pode responde» a isso até porque, lembra, «o José Afonso tinha uma personalidade muito própria, era o seu próprio comité central, como ele escreveu».

Mas Paulo Esperança não deixa de ter uma opinião: «Acho que o Zeca não poderia estar noutro lugar que não fosse, de acordo com as suas possibilidades e forças, a fazer a contestação a uma série de coisas que ele considerava erradas e que eu creio que hoje também consideraria erradas. O Zeca nunca foi de desistir dos combates».