A agricultura tem mais possibilidade que as obras públicas para responder ao desemprego e desequilíbrio da balança comercial externa portuguesa, situações agravadas pela actual crise económica, defendeu esta terça-feira o presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB).

João Salgueiro, que falava no seminário «A Agricultura Portuguesa e a Reforma da PAC, organizada pela Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), defendeu que «devia haver um debate para [apontar que] a agricultura tem melhor potencial que as obras públicas para criar emprego» e para fomentar a exportação, principalmente de alguns produtos para os quais Portugal tem as condições adequadas de produção, escreve a Lusa.

O responsável afirmou que esta actividade sempre enfrentou dificuldades na obtenção de mão-de-obra, mas, nas condições actuais, pode ser uma alternativa para o desemprego resultante, por exemplo, do encerramento de unidades fabris em várias regiões do país.

«Agora diz-se que se devem fazer grandes obras públicas» para criar emprego, porém, a agricultura, além de poder absorver mão-de-obra, também pode contribuir para aumentar as exportações, defendeu.

Também o ex-presidente da Confederação da Indústria de Portuguesa (CIP), Pedro Ferraz da Costa, que participou no seminário, defendeu que vai «haver uma mudança significativa na produção em Portugal e como consequência haverá mão-de-obra disponível para a agricultura».

Ferraz da Costa disse que existe «pouca organização dos mercados» o que permite a «apropriação do valor que a agricultura é capaz de criar», por isso, «actuações concertadas poderiam aumentar o rendimento recebido pelos produtores».

«A CAP deveria ser capaz de fazer propostas de actuação por fileiras produtivas», desafiou o ex-presidente da CIP.