O presidente da Confederação de Agricultores de Portugal (CAP), João Machado, considera que o Ministério da Agricultura volta, com a nova remodelação governamental, a ter «uma forma mais correta e equilibrada».

«Desde a primeira hora que nós [CAP] dissemos que o Ministério nos parecia muito grande e que tinha áreas que não tinham nada a ver com a nossa e, portanto, retiravam tempo e foco à ministra», disse à agência Lusa João Machado.

Com a remodelação, a ministra Assunção Cristas perdeu a tutela do Ordenamento do Território e do Ambiente, ficando apenas ministra da Agricultura e do Mar. No entender do responsável da CAP, com esta remodelação, o Ministério volta a ter uma «forma normal, mais correta».

«Foi corrigido um erro. Parece-nos que os ministérios voltam a ter formas equilibradas e de dimensão possível para um ministro dirigir», sublinhou.

De acordo com o presidente da CAP, o Ministério da Agricultura não tem funcionado mal nos últimos dois anos.

«Parece-nos que se perdeu muito tempo. O Ministério esteve a fazer leis orgânicas para incorporar outras áreas e agora vai ter de desfazer novas leis orgânicas para deixar sair as áreas para os outros ministérios», disse, salientando que isto tem custos e consome recursos humanos.

Sobre a remodelação governamental na generalidade, João Machado considera que este é um executivo mais forte e com mais experiência política, em especial no que diz respeito à economia.

«Julgo que há duas escolhas políticas, o Ministério dos Negócios Estrangeiros e o do Ambiente, duas pessoas que estiveram e estão na política há muito anos e, portanto, vêm trazer essa experiencia ao Governo que me parece importante», salientou.

Na opinião de João Machado, a escolha de António Pires de Lima para substituir Álvaro Santos Pereira na Economia é muito importante porque vem da área empresarial, mas está na política há muitos anos.

«Pires de Lima compreende bem os dois lados e tem falado repetidamente naquilo que nos parece importante naquilo que é o crescimento e o emprego e, portanto, esperamos muito deste ministro da Economia para virar a situação recessiva em que a nossa economia tem estado a funcionar», disse.

No que diz respeito à escolha de Paulo Portas para vice-primeiro-ministro, João Machado disse esperar que este venha a desempenhar um bom papel tanto na área da economia como na da negociação com a troika.

«Espero que coordene uma boa negociação com a troika, mas ao mesmo tempo olhando para a situação interna no país para o desemprego e crescimento económico doutra maneira», concluiu.

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, propôs e o Presidente da República, Cavaco Silva, aceitou terça-feira que Paulo Portas assumisse o cargo de vice-primeiro-ministro, sendo substituído por Rui Machete nas funções de ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, que exercia desde a posse do executivo, em junho de 2011.

Para além disso, o chefe do executivo retirou Álvaro Santos Pereira de ministro da Economia, substituindo-o pelo dirigente centrista António Pires de Lima, e colocou o atual coordenador da direção nacional do PSD, Jorge Moreira da Silva, à frente de uma nova pasta do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia.

O também centrista Pedro Mota Soares, ministro da Solidariedade e Segurança Social, ficará responsável pelo Emprego, até agora integrado na Economia.