O cabeça de lista da CDU às eleições europeias, João Ferreira, defendeu hoje uma «necessária rotura» com a política da troika e com os partidos que assinaram o memorando de entendimento em 2011.

«A grande questão não é a forma de saída formal. A questão é que há quem pretenda não sair do programa», advogou João Ferreira, falando de PS, PSD e CDS-PP, e comentando o relatório hoje revelado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre a 11.ª avaliação regular ao Programa de Avaliação Económica e Financeira (PAEF).

O eurodeputado e novamente candidato ao hemiciclo europeu diz que os três partidos que assinaram o memorando «procuraram amarrar o país» a políticas de austeridade mesmo para um período seguinte ao do programa de resgate.

O comunista mostrou preocupação pelo «perpetuar», por exemplo, do «ataque» aos salários, da «redução estrutural» do rendimento dos portugueses, as «ditas» reformas estruturais e a privatização de setores e empresas.

«Tudo isso será para continuar a menos que se concretize a necessária rotura com esse caminho, que no nosso ponto de vista só é assegurado com um reforço da CDU», advogou o cabeça de lista da coligação que junta PCP e «Os Verdes».

O FMI pediu hoje mais reformas estruturais no período pós-programa, estimando que as medidas de consolidação para 2015 ascendam a cerca de 1% do Produto Interno Bruto (PIB).

No relatório hoje divulgado, o FMI defende que, «no período além do programa» e que foi estendido por seis semanas (até 30 de junho), "são precisas mais reformas estruturais para alcançar os objetivos do crescimento, do emprego e das exportações.

«Falhar nesta frente pode ter efeitos adversos duradouros na produtividade e no desemprego de longo prazo», avisa o Fundo, que considera que «é preciso uma nova estratégia de médio prazo para aprofundar o reequilíbrio estrutural da economia».