O cabeça de lista da CDU às eleições europeias, João Ferreira, defende que devem ser postos em causa instrumentos como o «Pacto para o Euro Mais», que representam «uma degradação ainda maior» das condições de vida e de trabalho.

«Instrumentos como o "Pacto para o Euro Mais", a governação económica, o semestre europeu, o tratado orçamental, se vierem a ser aplicados, significam trabalhar mais por menos dinheiro», disse João Ferreira à agência Lusa em Mangualde, onde esta terça-feira contactou com trabalhadores do Centro de Produção de Mangualde da PSA ¿ Peugeot/Citroen.

Na opinião do candidato, «quando PS, PSD e CDS apoiam e subscrevem um documento como o "Pacto para o Euro Mais", que defende o fim da contratação coletiva», tal significa, no caso de Portugal, um recuo de «mais de 40 anos no plano das relações de trabalho e na proteção dos direitos dos trabalhadores».

«Nós temos defendido a necessidade de uma valorização dos salários, devolvendo aos trabalhadores, aos reformados, aos pensionistas, àqueles que vivem do seu trabalho ou do trabalho de uma vida inteira, tudo o que lhes foi retirado», frisou.

João Ferreira justificou a deslocação à fábrica da PSA com o facto de se tratar de uma empresa que já motivou várias intervenções do PCP no Parlamento Europeu.

«É uma empresa que, em Portugal e não só, despediu trabalhadores, reduziu custos com salários e recebeu apoios públicos, fundos comunitários. Muitos trabalhadores foram readmitidos mais tarde com salários mais baixos», contou, lamentando que tudo isto aconteça numa empresa que apresenta lucros.

O primeiro candidato da CDU ao Parlamento Europeu considerou que este «é um exemplo emblemático do que está a ser feito com um conjunto de decisões que têm sido tomadas a nível nacional e da União Europeia, que levam a que hoje os trabalhadores sejam forçados a trabalhar mais, por menos dinheiro».

«Com a vinda aqui pretendemos assinalar isso como um exemplo do que está a acontecer e do que pode vir a generalizar-se no futuro», acrescentou.

João Ferreira pediu a todos os que estão descontentes e pretendem abster-se no dia 25 de maio para pensarem que, «se o fizerem, só estão a deixar campo aberto para que estas forças que têm estado em maioria no Parlamento Europeu e no plano nacional continuem por este caminho».

Aos que, «pensando castigar o Governo, se prepararam para votar no PS», lembrou que «em tudo de mais importante que foi votado no Parlamento Europeu o PS votou da mesma forma que o PSD e do CDS», sendo o "pacto para o Euro Mais" um exemplo disso.