O secretário-geral do PCP defende para Portugal uma política “patriótica e de esquerda” que não seja “refém das imposições externas”, como a atualmente assumida pelo “Governo minoritário PS”.

Durante a Sessão Evocativa do Centenário da Revolução de Outubro, no Porto, Jerónimo de Sousa disse que são hoje visíveis as consequências do capitalismo na sociedade portuguesa, às quais se juntam “vulnerabilidades” e “agudos problemas” cuja solução reclama “uma política patriótica e de esquerda, como a que o PCP defende para o país”.

Uma política que não está refém das imposições externas e dos interesses do grande capital, como a que assume o atual Governo minoritário do PS”

Defendeu a “libertação do país da submissão ao Euro e à União Europeia”, bem como a “renegociação da dívida pública para libertar recursos” e a “defesa e promoção da produção nacional e dos setores produtivos”.

No dia em que o PCP assinalou o fim das comemorações do Centenário da Revolução de Outubro na Rússia, Jerónimo de Sousa defendeu que “o mundo precisa do socialismo” que, assinalou, “não é incompatível com a democracia”.

“O socialismo precisa da democracia, da participação consciente dos trabalhadores e do povo para se afirmar e desenvolver. Não há socialismo sem a participação dos trabalhadores e do povo, o seu contributo, o seu empenhamento, a sua decisão, sem uma organização da sociedade com um funcionamento profundamente democrático”, assinalou.

Jerónimo de Sousa frisou ainda que “ninguém tem o direito de acusar o PCP de querer acabar com as liberdades” e que este foi o partido “que mais lutou em nome dessas liberdades”.

Ainda numa crítica ao capitalismo, o secretário-geral do PCP falou nas “injustiças”, “desigualdades” e “flagelos sociais” de um sistema que “faz com que, existindo recursos para garantir a alimentação, a saúde, o emprego e rendimentos à totalidade da população humana, mais de 800 milhões de pessoas passem fome e um em cada três seres humanos viva oficialmente abaixo do limiar da pobreza definido pela ONU”.

2A escalada agressiva do imperialismo assume particular gravidade no imperialismo norte-americano que (…) procura contrariar o seu declínio relativo e impor o seu domínio hegemónico, promovendo uma escalada de tensão e provocação, operações de ingerência e guerras de agressão por todo o mundo”, sublinhou.

Jerónimo de Sousa aproveitou para criticar históricos e comentadores segundo os quais “Outubro morreu” e “nada representa” e que não só compararam a Revolução Bolchevique ao Estado Islâmico, mas também defenderam que “a existência de Hitler e a II Guerra Mundial se devem à Revolução Russa”, numa “caluniosa ligação entre a revolução e o fascismo”.

“Vimo-los a uns e a outros a difundirem as mais torpes e estafadas mentiras, não apenas para denegrir e diabolizar a Revolução de Outubro, mas os comunistas e o seu projeto, e até a deturpar deliberadamente o que de viva voz o PCP hoje afirma sobre o significado de tão marcante acontecimento”, frisou.

Para o líder comunista, “só a cegueira ideológica pode justificar não reconhecerem o vasto conjunto de grandes conquistas e realizações políticas, económicas, sociais, culturais, científicas e civilizacionais do socialismo na URSS”.