O secretário-geral comunista reclamou esta sexta-feira para o seu partido a propriedade da «rutura» com as políticas que resultaram na perda de soberania e independência de Portugal face à Europa e voltou a desafiar o líder socialista a «clarificações».

«Nos últimos dias, temos ouvido muitos discursos que falam de rutura, termo que o PCP há muito vem a usar para ilustrar o que significa a sua política patriótica e de esquerda. Mas é importante clarificar que rutura», afirmou Jerónimo de Sousa num debate num hotel lisboeta no qual se defendeu a saída da moeda única.

Para o líder comunista, «rutura implica rutura com a política de direita, com os 38 anos dessa uma e mesma política - recuperar instrumentos de soberania alienados ao longo dos tempos por PS, PSD e CDS e rever os processos que retiraram essa soberania, nomeadamente na relação com a União Europeia».

«Sobre tudo isto, há muitas clarificações a fazer por parte daqueles que agora usam essa palavra (´rutura')», afirmou, dirigindo-se, implicitamente ao socialista António Costa.

Jerónimo de Sousa avaliou que «nada está decidido ou predestinado», na sua intervenção, após discursos do economista e historiador, João Ferreira do Amaral, do antigo reitor da Universidade de Lisboa, José Barata Moura, do militar de Abril Pezarat Correia e do especialista em direito administrativo e ex-membro do Tribunal Constitucional, Guilherme da Fonseca.

«Contrariamente à agenda mediática, que alimenta já a ideia da alternância para a continuação da mesma política, afirmamos que a alternativa para Portugal será a que o povo quiser e como quiser», continuou.

Segundo o líder do PCP, «Portugal não está condenado a mais do mesmo nem a viver em função de interesses alheios aos do povo» e «nada pode obrigar a aceitar a posição de Estado subalterno no quadro da União Europeia e alienar a independência e soberania nacionais».

«A todos aqueles que fazem a legítima pergunta ´qual o caminho alternativo ?', respondemos que está nas suas próprias mãos, vontade e ação. Um caminho que se trilha na luta e cujo primeiro passo é a exigência de demissão de um Governo cada vez mais isolado politica e socialmente, acossado pelo ineludível protesto popular, em desagregação e manchado por uma sucessão de escandalos que revelam o comprometimento com os mais obscuros interesses e esquemas», reporta a Lusa.