O secretário-geral do PCP afirmou este sábado, em Alpiarça, que a eventual eleição de Mário Centeno para a presidência do Eurogrupo não vai determinar as políticas da União Europeia nem significa melhorias para o país, como demonstraram “experiências anteriores”.

Falando num almoço/comício em Alpiarça, no distrito de Santarém, Jerónimo de Sousa afirmou que o povo conhece “experiências anteriores em que cidadãos nacionais assumiram responsabilidades na União Europeia e o país não ganhou nada com isso”.

“Pode-se eleger [o ministro das Finanças, Mário Centeno] para a presidência do Eurogrupo. A questão é saber quem é que vai determinar as políticas da União Europeia e não será um presidente, não será um homem. Quem decide são as instituições e as instituições atuais da União Europeia decidem, não a favor dos povos nem dos países, mas a favor do grande capital e isso não se vai alterar seja qual for o resultado”, declarou no final de um almoço que reuniu cerca de 300 pessoas no pavilhão do parque de exposições de Alpiarça.

Para o líder comunista, uma eventual eleição de Mário Centeno não altera “as opções nem os critérios que têm prevalecido na politica orçamental da União Europeia, em si mesmo contrárias ao desenvolvimento do país e aos seus interesses”.

Jerónimo de Sousa afirmou que o Orçamento do Estado para 2018 apresenta “avanços que têm a indiscutível marca do PCP” e que o Governo socialista “nunca adotaria”, mas que não deixa de estar condicionado pelas opções do PS, “de não romper com as imposições da União Europeia” nem “com os interesses do grande capital”.

Como exemplos apontou a continuação da “submissão ao euro”, a “recusa da renegociação da dívida pública e da eliminação das parcerias público-privadas” ou a “promoção da justiça fiscal”, medidas que classificou de essenciais para a “melhoria das condições de vida do povo e o desenvolvimento do país”.

O secretário-geral do PCP deixou o desafio de se “prosseguir a luta para romper com a política de direita” e alcançar medidas que “estão para lá das consagradas no Orçamento do Estado”, como o aumento dos salários, em particular do salário mínimo para os 600 euros, em janeiro de 2018.

Sublinhando ser “muito difícil” viver com o salário mínimo nacional de 557 euros mensais, “levando os trabalhadores 495 euros para casa”, Jerónimo de Sousa frisou que “não chega a subida para 580 euros em 2018” e criticou a Confederação Empresarial de Portugal – CIP, considerando "inaceitável" que tenha ido “fazer queixinhas” à União Europeia em relação ao salário mínimo nacional.

“Desmentindo as confederações patronais, o aumento do salário mínimo contribui para o desenvolvimento económico e a criação de emprego, como provam os últimos anos”, afirmou, acrescentando que o problema para as micro, pequenas e médias empresas portuguesas está no preço dos combustíveis, da energia, das comunicações e nas dificuldades de acesso ao crédito bancário.

“É importante que os trabalhadores lutem para concretizar este aumento para os 600 euros. É uma questão de dignidade para quem trabalha”, apelou, sublinhando que esta é uma “batalha” que o seu partido vai prosseguir.