O secretário-geral do PCP disse, em Santarém, que o que separa o seu partido do PS não são as pessoas mas as políticas, acusando os socialistas de, em matéria de Segurança Social, terem feito uma proposta “pior que a da direita”.

“Quando fazem apelos sobre porque não fazemos um entendimento com o Partidos Socialista não é numa questão de pessoas que o problema está. A questão está nas políticas. Estaremos de acordo que a CDU nunca poderia subscrever mais este ataque à Segurança Social, aos reformados e pensionistas. É isso que nos divide do PS e não outra coisa qualquer”, disse.


O líder comunista falava num comício realizado na quinta-feira à noite no centro histórico de Santarém, uma iniciativa que o responsável distrital, Otávio Augusto, inseriu no vasto conjunto de ações que a CDU tem vindo a realizar de contacto direto com as populações e na prestação de contas do trabalho do deputado António Filipe, de novo cabeça de lista pelo distrito às eleições de outubro.

Referindo-se ao debate desta semana sobre o Estado da Nação – “aquele dramatismo em que o PS proclamava os sete pecados da direita e a direita proclamava as 10 pragas do PS” -, o secretário-geral do PCP afirmou: “É caso para dizer entre as pragas de um e os pecados de outros venha o diabo e escolha”.

Para Jerónimo de Sousa, o “grande problema” é que o PS além de aceitar “os ditames da União Europeia, silencia, não diz uma palavra, sobre este problema central da dívida e do serviço da dívida”.

Afirmando que Portugal é “um país endividado”, o líder comunista advertiu que o país “vai chegar a um ponto em que não poderá pagar”, pois, só em juros do serviço da dívida, em 2016, serão pagos 8.000 milhões euros.

“O PS não dá uma palavra sobre esta matéria, aceita o Tratado Orçamental, sabe que é um espartilho que impõe a redução do défice a ‘mata cavalos’ (...), feito à custa do investimento de que precisamos para o crescimento económico”, declarou.


Sobre as propostas do PS para a Segurança Social, o secretário-geral do PCP lamentou que os socialistas tenham omitido aos futuros pensionistas que a baixa da taxa social única hoje representará futuramente reformas mais baixas e que propõe o aumento da idade da reforma, o plafonamento e o congelamento por mais quatro anos das pensões e das reformas.

Antes de Jerónimo de Sousa, o cabeça de lista da CDU pelo distrito de Santarém – cuja apresentação pública está agendada para duas sessões a realizar nos próximos dias 24 (em Torres Novas) e 25 (em Benavente) – disse às cerca de quatro centenas de pessoas concentradas no largo Padre Francisco Nunes da Silva porque acredita que é possível lutar pela eleição de mais deputados da coligação no distrito.

Acusando os outros nove deputados eleitos pelo círculo eleitoral de Santarém (cinco do PSD, três do PS e um do CDS-PP) de “traírem os compromissos” assumidos com as populações, ao participarem em vigílias e subscreverem moções localmente para depois votarem em sentido contrário no parlamento, António Filipe disse apresentar-se ao eleitorado “de cara levantada e mãos limpas”.