O Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) reviu a previsão do intervalo de crescimento da economia portuguesa este ano para 2,6 e 2,8%. Números que fazem parte da Síntese de Conjuntura de novembro e que acompanham a estimativa do Governo, de 2,6% de crescimento em 2017. Mas o ISEG está agora menos otimista já que a anterior síntese revelava um intervalo entre 2,6 e 3%  para a evolução do Produto Interno Bruto este ano. 

A síntese de conjuntura do ISEG vai dando uma ideia das razões porque a economia cresce e quais os indicadores a que devemos dar importância.

No documento a que a TVI teve acesso, os economistas do ISEG chamam a atenção para o menor crescimento no terceiro trimestre do ano – julho, agosto e setembro – se comparado com o mesmo período de 2016, segundo os últimos dados revelados pelo Instituto Nacional de Estatística. Mas, houve mais crescimento se compararmos com o trimestre anterior deste ano - abril, maio e junho. Na origem desta evolução mais consumo privado, menos investimento e um contributo negativo da procura externa líquida, devido a uma desaceleração nas exportações de bens e serviços – por exemplo o turismo - e a uma aceleração das importações.

É com base nestes números que o instituto avança para a análise do último trimestre de 2017. Entre os vários indicadores analisados, destaque, por exemplo, para o volume de negócios no comércio a retalho, muito influenciado pelo crescimento em 6,5% da venda de carros em outubro. “O crescimento das vendas de automóveis ligeiros de passageiros foi de 10,1% no 3º trimestre e de 6,5% em outubro”, diz o documento do ISEG. Referência também para o consumo de cimento e atividade na construção e obras públicas em outubro, beneficiado com “mais um dia útil e condições climatéricas favoráveis, que ajudou a variação homóloga nas vendas de cimento foi de cerca de 15%.”

Contas feitas, o ISEG refere que “o indicador de tendência da atividade global (IZ) – uma média ponderada dos indicadores setoriais anteriormente analisados – apresentou nos últimos meses um nível relativamente estável, sem sinais de aceleração do crescimento nem de desaceleração evidente.”

Relativamente ao quarto trimestre, a informação quantitativa é ainda escassa e localizada e não permite extrapolações fundamentadas sobre a evolução do conjunto da economia.

Por esta razão é tendo, sobretudo, em conta a o resultado do terceiro trimestre que a escola de economia e gestão avança com uma taxa de crescimento para o ano de 2017, que revê “o anterior intervalo de previsão para um agora mais provável valor final no intervalo 2,6% a 2,8%.”