A semana que terminou foi uma semana em que apenas três temas geraram mais de 50% da nossa atenção e em que todos eles têm em comum ter girado em torno de empates.

O primeiro empate da semana foi o da seleção portuguesa no Euro. De empate em empate, mas sempre esperando chegar a uma vitória, a seleção foi fazendo o seu caminho. Foram os empates que fizeram notícia (e história). Embora cada empate nos tivesse dado um ponto, os dois primeiros empates souberam a derrota e, apenas, o terceiro teve um sabor diferente porque, produto do favor dos deuses do futebol, deu a Portugal uma estranha passagem aos oitavos de final.

O segundo empate foi o do Brexit. O empate como resultado final, ao contrário do futebol, não era um resultado possível e, por isso, no final do dia da votação todos quiseram acreditar (até os partidários da saída) que a Grã-Bretanha iria ficar. Não foi isso que aconteceu e, apesar da vitória curta do Brexit, a União Europeia acordou sem a Grã-Bretanha.

No entanto, a Grã-Bretanha não se moveu tectonicamente e, por isso, geográfica, cultural, economica e militarmente continua a estar na Europa. O resultado final foi um empate entre a Europa e a União Europeia, pelo menos para a Grã-Bretanha.

Por último, tivemos (e teremos, provavelmente nas próximas semanas) o empate da Caixa Geral de Depósitos. Curiosamente, ou talvez não, a realidade retratada nas notícias sobre a CGD esta semana faz lembrar o argumento do título homônimo do filme de 1994 de Manoel de Oliveira, "A Caixa".

No filme de Manoel de Oliveira tudo se passa num bairro em Lisboa, numa família que sobrevive das esmolas obtidas pelo caixa, até que um dia a caixa é roubada, tal como já havia acontecido há algum tempo atrás e, a partir daí, abrem-se as portas para o conflito que acaba em tragédia.

A Caixa dominou a agenda política parlamentar, governativa e presidencial, fazendo-as ficar amarradas ao debate sobre se são as comissões parlamentares à Caixa que prevalecem ou as auditorias à Caixa ou se, por fim, teremos um empate e ambas verão a luz do dia.

Os santos populares são o décimo tema da semana e, precisamente, por isso podemos terminar a análise da semana, com a intervenção do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, em vésperas de S. João no Porto comentando a atualidade da Caixa e o que, na sua opinião, há de positivo na auditoria proposta pelo governo.

Tudo está ligado, em tudo se empata, até nas "caixas" nos santos populares, seja pela moedinha para o Santo Antônio ou para o São João. Resta saber se, terminados os santos, as esmolas continuarão, ou não, a ser depositadas na Caixa Geral de Depósitos.

Gráfico:


 

Ficha técnica:

 

O Barómetro de Notícias é desenvolvido pelo Laboratório de Ciências de Comunicação do ISCTE-IUL como produto do Projeto Jornalismo e Sociedade e em associação com o Observatório Europeu de Jornalismo. É coordenado por Gustavo Cardoso, Décio Telo, Miguel Crespo e Ana Pinto Martinho. A codificação das notícias é realizada por Rute Oliveira, João Lotra e Sofia Barrocas. Apoios: IPPS-IUL, Jornalismo@ISCTE-IUL, e-TELENEWS MediaMonitor / Marktest 2015, fundações Gulbenkian, FLAD e EDP, Mestrado Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação, LUSA e OberCom.

Análise de conteúdo realizada a partir de uma amostra semanal de 413 notícias destacadas diariamente em 17 órgãos de comunicação social generalistas. São analisadas as 4 notícias mais destacadas nas primeiras páginas da Imprensa (CM, PÚBLICO, JN e DN), as 3 primeiras notícias nos noticiários da TSF, RR e Antena 1 das 8 horas, as 4 primeiras notícias nos jornais das 20 horas nas estações de TV generalistas (RTP1, SIC, TVI e CMTV) e as 3 notícias mais destacadas nas páginas online de 6 órgãos de comunicação social generalistas selecionados com base nas audiências de Internet e diversidade editorial (amostra revista anualmente). Em 2016 fazem parte da amostra as páginas de Internet do PÚBLICO, Expresso, Observador, TVI24, SIC Notícias e JN.