Em 2013, um senhor chamado Marc Blyth escrevia um livro muito conhecido, cujo título é ‘Austerity: the history of a dangerous idea’. Neste livro, ele afirmava que ‘a austeridade não funciona antes de mais porque é uma má ideia’. E seria uma má ideia porque a forma como é representada, como sendo o reembolso por uma dívida provocada pelos Estados que gastam demasiado, é ‘uma falsificação dos factos’. Porque, na opinião deste economista ‘estes problemas começam e acabam nos bancos’ (p.5). 


É uma tese simples e já bastante adquirida no âmbito da economia crítica, mas que não deixa de ter uma forte carga interpretativa para ler as escolhas políticas dos últimos anos em Portugal. A austeridade foi apresentada como uma terapia inevitável, mas talvez não o fosse, ou pelo menos não seria a única. E os bancos estão, esta semana, no centro da atenção mediática em Portugal. Será que de repente a maioria dos portugueses começaram a se interessar pelos assuntos financeiros? Será que os interesses de Isabel dos Santos mexem assim tanto com os sentimentos dos cidadãos? 

 

Mais provável é que na base desta atenção haja uma preocupação para com as consequências que estas questões poderão vir a ter na vida de cada um. As polémicas em volta da atuação de Carlos Costa e das alegadas mentiras de Mário Centeno no caso Banif dominaram a cena mediática da semana. E a inclusão da intervenção do Estado no Banif foi a razão da recente revisão em alta do défice português de 2015 por parte do Eurostat. E esta revisão coincide com as negociações em volta do Programa de Estabilidade (PE) e do Programa Nacional de Reformas (PNR), outro assunto com grande destaque. Qual será a ligação entre tudo isso? E poderá daí surgir uma boa ideia?

 

Ficha técnica

O Barómetro de Notícias é desenvolvido pelo Laboratório de Ciências de Comunicação do ISCTE-IUL como produto do Projeto Jornalismo e Sociedade e em associação com o Observatório Europeu de Jornalismo. É coordenado por Gustavo Cardoso, Décio Telo, Miguel Crespo e Ana Pinto Martinho. A codificação das notícias é realizada por Rute Oliveira, João Lotra e Sofia Barrocas. Apoios: IPPS-IUL, Jornalismo@ISCTE-IUL, e-TELENEWS MediaMonitor / Marktest 2015, fundações Gulbenkian, FLAD e EDP, Mestrado Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação, LUSA e OberCom.

Análise de conteúdo realizada a partir de uma amostra semanal de 414 notícias destacadas diariamente em 16 órgãos de comunicação social generalistas. São analisadas as 3 notícias mais destacadas nas primeiras páginas da Imprensa (CM, PÚBLICO, JN, DN e Jornal i), as 5 primeiras notícias nos noticiários da TSF, RR e Antena 1 das 8 horas, as 5 primeiras notícias nos jornais televisivos das 20 horas (RTP1, SIC e TVI) e as 3 notícias mais destaques nas páginas online de 5 órgãos de comunicação social generalistas selecionados com base nas audiências de Internet e diversidade editorial (amostra revista anualmente). Em 2016 fazem parte da amostra as páginas de Internet do PÚBLICO, Expresso, SOL, TVI24 e SIC Notícias.