O porta-voz da Amnistia Internacional-Portugal defendeu esta quinta-feira a abertura de uma investigação e eventual condenação dos responsáveis pelo alegado massacre na Síria com recurso a armas químicas e considerou que a posição da ONU é «gravíssima».

VÍDEO: novas imagens mostram o horror na Síria

«Isto é evidentemente óbvio. No mínimo tem que haver uma investigação e, eventualmente, a condenação do país, das autoridades, dos responsáveis por um ato desta natureza», afirmou Vítor Nogueira, em declarações à agência Lusa.

A Coligação Nacional Síria (CNFROS), oposição ao governo, denunciou na quarta-feira que pelo menos 1.300 pessoas morreram num ataque com armas químicas realizado pelo exército nos arredores de Damasco, acusações que foram rejeitadas quase de forma imediata pelo regime de Bashar Al-Assad.

Referindo não ter ainda uma posição oficial da Amnistia Internacional, Vítor Nogueira explicou que, normalmente, se exige «um inquérito rigoroso a este tipo de intervenção», em que são tomadas medidas «que afetem as populações civis e que atinjam a legalidade existente em relação às leis da guerra pela utilização de armas ilegais, neste caso gás sarin».

Além disso, acrescentou, é também habitual «a responsabilização de quem tomou tal decisão ou participou neste tipo de ação».

Na quarta-feira, a comunidade internacional começou a pedir uma «investigação urgente» da Organização das Nações Unidas (ONU).

No entanto, o Conselho de Segurança da ONU foi incapaz de chegar a acordo para pedir formalmente uma investigação, situação que o porta-voz em Portugal da Amnistia Internacional considera ser muito grave.

Para o porta-voz da Amnistia Internacional-Portugal, esta «é uma daquelas situações gravíssimas» já que mostra «uma instrumentalização política por parte de membros do Conselho de Segurança [da ONU]».

Vítor Nogueira considera que «o facto da Rússia ou da China bloquearam qualquer tipo de ação nesta matéria, mesmo em relação a uma investigação, é uma situação muito grave».

«Porque, em nome da neutralidade do discurso, efetivamente alguns países, por razões de natureza geoestratégica, por razões que não têm que ver com os interesses da comunidade internacional, procuram proteger os criminosos, os responsáveis por atos desta natureza», acusou.

Para o porta-voz da Amnistia Internacional-Portugal, esta situação «parece como que o renascimento da Guerra Fria: das posições tomadas pelas grandes potências (EUA e ex-União Soviética) em relação à proteção dos responsáveis que eram seus aliados».

Naquela altura, lembrou, podiam acontecer «os maiores crimes, os maiores abusos, mas [os responsáveis] tinham sempre um guarda-chuva de uma grande potência para os proteger».