O envelhecimento da população e a Educação assumem-se como principais ameaças à sustentabilidade da economia portuguesa, que contudo tem as condições necessárias para ser sustentável, por exemplo no Turismo, segundo a especialista Sofia Santos.

«A economia portuguesa não é nada sustentável, mas tem tudo para o ser», disse à Lusa Sofia Santos, especialista em sustentabilidade e cofundadora da SystemicSphere, nova empresa de consultoria de economia sustentável.

O envelhecimento da população portuguesa e a Educação são apontadas como as principais causas para a insustentabilidade económica do país, adianta Santos, que lamenta que «ainda não se ensine de forma massificada esta Nova Economia nas escolas de gestão, marketing e economia».

«É uma pena que Portugal ainda não tenha compreendido o potencial que tem ao nível da Nova Economia - uma economia sustentável», disse Sofia Santos.

Portugal tem a tudo para ser um exemplo na Europa e no mundo por ter «a dimensão certa para nos disponibilizarmos junto das grandes empresas, a desenvolver projetos-piloto de teste de tecnologias verdes», afirma a especialista, dando como exemplo uma marca de Portugal como País do Turismo Sustentável para divulgar os recursos sustentáveis portugueses nos mercados internacionais.

A cofundadora da SystemicSphere considera que «a quantidade de produtos exportados e que provêm de recursos naturais existentes em Portugal é a evidência de que o país tem ativos naturais que poderiam ser bem explorados», salientando que «a plataforma continental portuguesa faz com que seja um dos países com mais recursos, na escala europeia».

Numa altura em que a reforma fiscal verde que pode incentivar o desenvolvimento de novos produtos e empresas na área ambiental ainda não foi feita, Sofia Santos disse que «a grande maioria dos governantes, dos deputados e dos políticos locais nada sabem sobre sustentabilidade, e não fazem a mínima ideia das mudanças que irão surgir nos próximos 20 anos».

Sofia Santos considera necessária «uma orientação das políticas públicas que catalise e recompense a dinâmica empresarial e sobretudo que as alinhem com princípios de desenvolvimento sustentável de longo prazo».

Para que as empresas portuguesas se possam tornar mais sustentáveis, Sofia Santos refere que é necessário que tenham pessoas afetas somente ao tema da sustentabilidade ou pelo menos que disponibilizem recursos para compreender o que é a sustentabilidade.

Sofia Santos referiu que a SystemicSphere acredita «quer as organizações quer as pessoas precisam de constatar que a sua sobrevivência depende da forma como se utilizam os recursos naturais. E por isso, é necessário respeitar os recursos naturais, compreender as pessoas e utilizar o dinheiro para desenvolver ferramentas de trabalho adequadas à nova economia».