O presidente do Conselho Económico e Social (CES) manifestou esta quarta-feira reservas quanto às previsões macroeconómicas do Governo, que apontam para uma recessão de 1,8% este ano e uma recuperação já no ano que vem.

José Silva Peneda limitou-se a dizer que o cenário do executivo, que saiu da oitava e nona avaliações da troika ao programa de assistência a Portugal, «é de realização incerta».

Questionado sobre o anunciado corte nas pensões de sobrevivência, o responsável não quis pronunciar-se, limitando-se a dizer que, sem crescimento económico, «o Estado não pode responder».

Na reunião do CES, a UGT alertou para o forte abalo que o corte das pensões provocará no rendimento das famílias, lembrando que quanto mais escasso for o rendimento dos agregados familiares, maior será o efeito negativo no consumo e na economia.

Já a CGTP, acusa o Executivo de falhar repetidamente todos os cenários macroeconómico e diz que é preciso rever as metas orçamentais.

Em declarações prévias à TSF, José Silva Peneda defendeu que não é possível manter o regime atual de pensões.



«É evidente que o regime de pensões só pode funcionar quando a economia cresce e quando cria muito emprego. O nosso problema neste momento nas questões sociais têm a ver fundamentalmente com o aumento do desemprego, porque é mais dinheiro que sai para os subsídios de desemprego e é menos dinheiro que entra, pois quando as pessoas estão empregadas descontam para a Segurança Social», argumentou.

Nas declarações à estação de rádio, o presidente do CES acrescenta que «é muito difícil fazer contenção orçamental sem que a economia cresça», considerando que «até agora temos assistido a um esforço muito grande, mas essa contenção tem sido algo desequilibrada porque do lado do crescimento da economia não se atua com a mesma força».



O CES analisa e vota esta quarta-feira o parecer sobre as Grandes Opções do Plano (GOP), onde «expressa a sua preocupação pela ausência de uma verdadeira estratégia de emprego e de qualificação das pessoas que garanta o pleno aproveitamento do nossos recursos humanos, evitando os grandes fluxos emigratórios de mão-de-obra qualificada».



«Uma forte redução do desemprego tem de ser equacionada desde já, visto que se trata de um desafio que se não for rapidamente enfrentado» põe em risco a estratégia de crescimento e desenvolvimento futuro, alerta.



«O otimismo do Governo contrasta fortemente com os números do desemprego, com o número de empresas falidas, com a redução do poder de compra das famílias e com o aumento da pobreza. Contrasta ainda com o continuado aumento da dívida pública», diz o documento.