A inflação já foi um dos grandes problemas da economia portuguesa, por exemplo nos anos 80, quando a taxa anual rondava os 16%.

Com a entrada no euro, a situação inverteu-se, mas a perda de soberania na política financeira e cambial revelou outros males crónicos como o da indisciplina orçamental, da qual estamos agora a pagar o preço.

Nos anos 80 havia uma solução para resolver a má gestão dos dinheiros públicos: imprimia-se mais dinheiro e corrigia-se no imediato os défices orçamentais e combatia-se a fraca competitividade da economia. Ganhavam as empresas exportadoras, mas perdiam quase todos com aquele que é considerado o imposto mais injusto que existe.

É que a inflação é um efeito secundário perigoso da desvalorização da moeda, uma doença que se tornou crónica em Portugal nos anos 80. Nessa altura, a subida dos preços refletia ainda os efeitos dos dois choques petrolíferos, da acumulação dos défices públicos e de desvalorizações da taxa de câmbio.

Com a integração europeia e no início do caminho que iria conduzir o país ao euro, as taxas de inflação e de juro iniciaram uma nova trajetória. A taxa de juro desceu de quase 18% em 1991 para menos de 1% em 2010, revela um estudo encomendado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos.

Uma evolução que foi acompanhada pela descida de preços que, de uma média de 16% na década de 80 passou para 5% nos anos 90 e de 2% na última década.

Portugal foi o segundo Estado-membro onde as taxas de juro mais caíram entre 1995 e 2010. Progressos que reforçaram a confiança na futura participação de Portugal no euro.

Mas a cura transformou-se no mal da economia portuguesa. Sem instrumentos financeiros e cambiais, o país deixou de poder imprimir moeda e de desvalorizar o escudo. Para encurtar mais a margem de manobra dos Governos, o país passou a estar sujeito a tetos de défice e dívida pública.

Estas evoluções colocaram sob os holofotes a indisciplina orçamental do país, com o défice a ser sempre mais negativo que o da média dos outros Estados-membros e a dívida a ultrapassar a média dos parceiros a partir de 2005.