O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, criticou esta terça-feira a anterior política de investimento público em ciência, sustentando que falhou nos resultados, mas defendeu que é preciso dar continuidade à aposta nas energias renováveis.

O chefe do executivo PSD/CDS-PP assumiu estas posições na primeira reunião da «Coligação para o Crescimento Verde», uma entidade criada pelo Ministério do Ambiente que junta organizações de diversos setores, realizada no Oceanário de Lisboa.

Numa alusão ao anterior período de governação do PS, o primeiro-ministro afirmou que, em matéria de ciência e tecnologia, o atual Governo está gradualmente a «romper com as políticas passadas» baseadas na ideia de que «mais dinheiro público» produz «qualidade» em termos de resultados.

«De facto, não é assim», alegou Passos Coelho, referindo-se às bolsas atribuídas pela Fundação para a Ciência e Tecnologia.

«Durante vários anos, conseguimos transferir mais recursos para o sistema e atribuir mais bolsas. No entanto, quando medimos depois o número de patentes que são registadas, o número de artigos científicos que são publicados, quando medimos o resultado e a qualidade desse resultado, nós passávamos de indicadores que pareciam comparar muito bem com os países com que gostamos de nos comparar para comparar muito mal sempre que olhávamos à substância dos indicadores», sustentou.

Segundo o primeiro-ministro, é preciso «mudar a filosofia das políticas públicas que estavam a ser executadas», assegurando que o financiamento dirigido à ciência, à tecnologia e ao sistema educativo «produz resultados» e «cria valor» na economia.

«Temos, portanto, de aprender a medir os resultados e temos de garantir que as bolsas que nós usamos para financiar os doutoramentos, os pós-doutoramentos, a investigação que é feita não corresponde meramente a uma política de recursos humanos de empregar os melhores, mas que possa resultar em ter mais gente do lado das empresas, altamente qualificada, a desenvolver investigação e a fazer a translação de conhecimento que traga valor para essas empresas e para a economia», defendeu.

Em seguida, Passos Coelho falou da «economia verde», considerando que, «desde que os incentivos sejam os adequados, continuar a apostar nas energias renováveis não é um erro», mas antes «uma necessidade estratégica» de Portugal.

Ressalvando que é preciso «medir bem os incentivos que são criados», acrescentou: «O facto de termos muitas vezes contratualizado benefícios excessivos nas renováveis não significa que a aposta nas renováveis não seja uma aposta fundamental».

A este propósito, o primeiro-ministro afirmou ainda que «a União Europeia precisaria de manter uma maior ambição nas metas que vem definindo» e que a «economia verde» não deve ser encarada pelos agentes económicos como «um ónus», como cita a Lusa.