O primeiro-ministro disse que «os obstáculos de natureza constitucional» que não permitem reduzir a despesa não dão «uma perspetiva positiva de futuro para a economia portuguesa».

«Se nós andarmos todos os anos a sofrer um desgaste imenso por querer reduzir a despesa, porque ela tem de ser reduzida, e depois temos obstáculos de natureza constitucional que não o permitem, isso não dá uma perspetiva positiva de futuro para a economia portuguesa», afirmou Pedro Passos Coelho.

O chefe do Governo, que falava para empresários e autarcas do Tâmega e Sousa reunidos numa unidade hoteleira, acrescentou que «a perspetiva do Governo é de não ser preciso mais onerar a carga fiscal».

«O que nós precisamos é reduzir sustentadamente a nossa despesa», insistiu, frisando que o país só poderá diminuir a carga fiscal quando tiver excedente orçamental.

«É negativo que se enraíze a ideia de que resolvemos os nossos problemas orçamentais aumentando os impostos. Isso é uma ilusão. Podemos, no curto prazo, não ter outra alternativa, mas é muito mau pensar que, para futuro, só conseguimos resolver os nossos problemas de défice, aumentando os impostos», acrescentou.

Para o chefe do Governo, aumentar a carga fiscal «representa uma solução de curto prazo, mas uma péssima solução de médio e longo prazo».

O primeiro-ministro disse não poder garantir hoje se haverá redução de impostos até 2015. Antes, tinha afirmado que só aumentou os impostos este ano porque houve necessidade de compensar o chumbo do Tribunal Constitucional relativo à medida do Orçamento do Estado que previa a suspensão dos subsídios na função pública.

Elogiando o trabalho dos empresários portugueses e o crescimento da exportação, sublinhou que a economia do país «consegue dar mostras de vitalidade e reanimação», tendo entrado em 2013 numa «inversão de tendência».

«A nossa economia vai crescer, porque as nossas exportações continuarão com enorme vigor, com níveis de crescimento acima de 5% ao ano», destacou, referindo-se também à previsão de «alguma reanimação do mercado interno por via do investimento e do consumo».

Para Passos Coelho, a economia portuguesa «já começou a responder e isso, apesar não ter ainda um vigor muito forte, também já se tem notado ao nível do desemprego e emprego».

«Julgo que temos razões para ver o futuro com mais esperança», assinalou, acrescentando: «Espero que os próximos dois anos sejam o recomeço de uma estratégia de crescimento para o país, que não seja alimentada por dívida, mas que possa ser alimentada por um ciclo virtuoso de criação de riqueza e isso hoje está ao nosso alcance».