A Amnistia Internacional (AI) pediu uma investigação imediata sobre os ataques das forças de segurança de Israel a hospitais e profissionais da saúde na Faixa de Gaza, provocando a morte de seis médicos.

A organização não-governamental (ONG) de direitos humanos reuniu testemunhos de médicos, enfermeiros e equipas de ambulâncias que estão na região sobre estes ataques israelitas, no âmbito da operação «Margem Protetora», que teve início a 08 de julho.

«As descrições angustiantes dos motoristas das ambulâncias e médicos sobre a situação totalmente impossível que têm de trabalhar, com bombas e balas que atingem e matam os seus colegas, que estão a tentar a salvar vidas, mostra a triste realidade da vida em Gaza», disse esta quinta-feira Philip Luther, o diretor para o Médio Oriente e Norte da África da Amnistia Internacional, citado pela instituição em nota de imprensa.

De acordo com o diretor, é ainda mais alarmante a crescente evidência de que o exército de Israel tem como alvo os serviços de saúde ou os seus profissionais e tais ataques são absolutamente proibidos pelo direito internacional e equivaleria a crimes de guerra.

«Os ataques só adicionam o argumento que a situação deve ser encaminhada para o Tribunal Penal Internacional, referiu», sublinhou Luther.

Hospitais, médicos e equipas de ambulâncias, incluindo aqueles que tentam socorrer os feridos dos ataques israelitas, têm estado sob fogo cerrado desde 17 de julho.

Algumas equipas médicas foram mesmo impedidas de chegar a áreas críticas, deixando centenas de civis feridos, que ficaram sem acesso a ajuda e também sem assistência para remover os cadáveres de familiares.

Jaber Khalil Abu Rumileh, que supervisiona os serviços de ambulâncias no hospital dos Mártires de Al-Aqsa, relatou à AI o bombardeamento ao centro médico em 21 de julho, que durou cerca de meia hora.

«Eram três da tarde e eu estava a trabalhar na unidade de emergência. Eu ouvi a bomba a sacudir o hospital. O bombardeamento atingiu o quarto andar, no qual estão as unidades das grávidas e cesáreas. Então, houve um maior número de impactos. As pessoas ficaram apavoradas, pacientes corriam para fora (do hospital) e os médicos não podiam entrar para socorrer os feridos e retirar os cadáveres», disse Abu Rumileh à AI.

O supervisor dos serviços de ambulância disse também que o terceiro andar foi atingido e quatro pessoas morreram.

«Eu vi uma mulher a correr com a criança que havia acabado de dar à luz. Algumas mulheres deram à luz durante os bombardeamentos», revelou ainda Jaber Khalil Abu Rumileh.

O motorista Mohammad Abu Jumiza ficou parcialmente surdo depois de sofrer ferimentos na cabeça durante um ataque que ocorreu enquanto estava a transportar feridos na sua ambulância, em Khan Yunis, a 24 de julho.

O médico Bashar Murad, diretor da unidade de emergência e ambulâncias da Crescente Vermelho Palestiniano, disse que, desde o início do conflito, dois motoristas de ambulâncias foram mortos, 35 ficaram feridos e 17 ambulâncias ficaram fora de serviço com os ataques israelitas.

«Nossas ambulâncias são frequentemente alvos, embora estejam devidamente identificadas com os sinais de que são ambulâncias. O exército deve ser capaz de distinguir do ar o que estão a alvejar», disse Murad.

Hospitais através da Faixa de Gaza estão a sofrer sem combustível e energia, fornecimento de água inadequado e escassez de medicamentos e equipamento médico, segundo a AI.

A ONG referiu que esta escassez já prevalece há sete anos, desde o bloqueio de Israel na região, tendo a situação piorado desde o início desta nova onda de hostilidades.

Até 05 de agosto, de acordo com o Escritório das Nações Unidas para Assuntos Humanitários, 1.814 palestinianos foram mortos na Faixa de Gaza, sendo 86% de civis, mais de 9.400 ficaram feridas e 485 mil pessoas foram deslocadas, muitas destas estão em escolas e hospitais.