A economia portuguesa deverá voltar ao crescimento em 2014 depois de três anos de recessão, com o Governo a prever um aumento do PIB de 0,8% e os economistas contactados pela Lusa a esperar um ano positivo.

O executivo e a troika (Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu) estimam que a economia portuguesa cresça 0,8% em 2014, uma previsão que coincide com a do Banco de Portugal, mas que é mais otimista do que a da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), que aponta para um crescimento de apenas 0,4%.

Os economistas contactados pela Lusa confiam que 2014 será, de facto, o ano do regresso ao crescimento económico, mas consideram que esta progressão vai ser modesta e alertam para os riscos que se colocam ao bom desempenho da economia.

Filipe Garcia, economista da Informação de Mercados Financeiros (IMF), considera que «o crescimento será provavelmente muito moderado, não se podendo esperar taxas de crescimento de 2%, por exemplo».

O economista alerta que o próximo ano vai ser «muito condicionado pelas medidas finais do Orçamento do Estado (após decisões do Tribunal Constitucional)», mas também pelos resultados dos testes de resistência aos bancos e pela «forma como o país se conseguirá financiar após junho de 2014, nomeadamente se com ou sem um plano cautelar».

Destacando como fatores que podem influenciar positivamente o comportamento da economia o contexto internacional favorável, o «montante significativo» de fundos comunitários que Portugal vai receber e o lançamento do banco do fomento, Filipe Garcia defende que «o 'cisne negro' que poderia complicar 2014 seria uma queda forte nas bolsas que aumentasse os níveis de aversão ao risco, prejudicando os países periféricos».

Também Paula Carvalho, economista do BPI, afirma que há riscos ao bom comportamento da economia em 2014 e considera que «é fundamental assegurar que o Tesouro se financia regularmente no mercado primário e que esta transição ocorra de forma tranquila e sem sobressaltos».

Já o diretor de investimentos do Banco Carregosa, João Pereira Leite, acredita que 2014 vai ser "o ano da viragem" económica, mas questiona as previsões do Governo: «Podemos não ter o Produto Interno Bruto (PIB) a crescer 0,8% como diz o Governo, mas pode ser de 0,4%. O que importa é que vamos discutir números já em terreno positivo», afirmou.

No entanto, o economista salvaguardou que isso será assim também «porque, depois de uma queda tão dura do PIB, em algum momento ele vai subir» e disse que é preciso «relativizar» porque Portugal «não vai regressar ao ponto em que estava antes de descer 7%».

João Pereira Leite entende que «mais importante do que saber quanto é que o PIB vai subir é saber quando é que se dará a inversão do rácio da dívida face ao PIB», acrescentando que «a inversão da dinâmica da dívida e o cumprimento do défice serão as melhores notícias» para 2014.