O Presidente do Conselho de Administração do banco BIC, presente em Angola e Portugal, afirmou à Lusa que a situação envolvendo o grupo Espírito Santo «deve preocupar toda a economia» portuguesa, face à dimensão da instituição.

«Eu acho que é algo que tem que preocupar toda a economia nacional, todas as empresas e todos os empresários. Quando uma grande empresa como o Banco Espírito Santo está com alguns problemas, temos que, todos nós, também ter de estar preocupados com isso», disse Fernando Teles.

Questionado pela Lusa, em Luanda, o presidente do BIC garantiu que aquele banco «não está muito exposto» ao grupo privado português, mas reconhece a importância nomeadamente do Banco Espírito Santo.

«De qualquer maneira, o grupo Espírito Santo, na economia portuguesa, tem uma grande força, uma grande importância. Os seus dirigentes eram pessoas com toda a credibilidade e, por isso, aquilo que desejo é que o BES continue a ser um grande banco», defendeu.

Nas últimas semanas, foram tornados públicos vários problemas no Grupo Espírito Santo (GES), que têm levantado receios do contágio ao BES.

«Aquilo que espero é que estas situações que estão a acontecer daqui a um mês estejam esquecidas», rematou Fernando Teles, à margem do I Fórum Empresarial dos Países de Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), realizado hoje na capital angolana.

A mensagem do Banco de Portugal tem-se mantido a mesma, de que «a situação de solvabilidade do BES é sólida, que foram tomadas medidas» para evitar riscos de contágio ao banco resultantes do ramo não-financeiro do GES e que os depositantes não correm riscos.

O novo presidente executivo do BES, Vítor Bento, que substituiu o líder histórico Ricardo Salgado, disse já também que a prioridade no banco é «reconquistar a confiança dos mercados» e pôr fim à especulação, como reporta a Lusa.