
Última atualização às 15:30
O adjunto do gabinete de Miguel Relvas, Adelino Cunha, demitiu-se do cargo. A informação foi confirmada à TVI24 pelo gabinete do ministro dos Assuntos Parlamentares, que explicou a demissão foi apresentada pelo ex-jornalista e aceite por Relvas.
De acordo com a edição eletrónica da revista «Sábado», a demissão aconteceu depois do Ministério Público ter encontrado mensagens trocadas entre Adelino Cunha e o ex-diretor do SIED, Jorge Silva Carvalho.
Segundo a revista, o adjunto e o ex-espião terão combinado falar através de um telefone fixo. «É referida uma ligação através dos telefones da Presidência do Conselho de Ministros e concordam em encontrar-se para beberem um café no Hotel Tivoli», escreve a «Sábado».
Em declarações à publicação, Adelino Cunha disse ter conhecido Silva Carvalho «antes de ter sido nomeado adjunto político do Ministro-Adjunto e dos Assuntos Parlamentares». «Mantive, por minha iniciativa, contactos durante o período em que exerci funções», explicou.
«Em Setembro de 2011, o Dr. Jorge Silva Carvalho manifestou a sua indignação pelo facto de um envelope que lhe fora enviado pela Assembleia da República ter sido alegadamente violado. A título pessoal, contactei antigos colegas jornalistas alertando-os para esse facto. Informei-o também sobre os rumores que corriam na Assembleia da República sobre o alegado conteúdo dos documentos», explicou o ex-adjunto de Relvas o motivo do encontro com o ex-espião.
Segundo a agência Lusa, o adjunto do ministro Miguel Relvas e o ex-diretor do SIED trocaram sete mensagens de telemóvel, entre 8 e 15 de Setembro de 2011, uma das quais sobre a violação de um envelope do parlamento.
Um dos SMS entre Adelino Cunha e o ex-diretor do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED) Jorge Silva Carvalho, que terá estado na origem da demissão do adjunto de Miguel Relvas, remonta a 8 de Setembro de 2011, altura em o ex-jornalista Adelino Cunha escreveu que os papéis de Sérgio Sousa Pinto falariam da Rússia e indicou duas siglas que insinuariam os nomes de Vasco Rato e Miguel Relvas.
No dia 14 de setembro, o presidente da comissão parlamentar de Direitos, Liberdade e Garantias revelou que o envelope enviado a Silva Carvalho com cópias dos documentos sobre a atividade das secretas portuguesas chegou aberto ao destino.
Adiantou que o mesmo envelope, com cópias dos documentos remetidos inicialmente de forma anónima ao deputado socialista Sérgio Sousa Pinto, terá sido aberto na central dos CTT.
Nas mensagens trocadas entre Silva Carvalho e Nuno Vasconcellos, patrão da Ongoing, é referido que o ex-«espião» tinha acabado de receber um envelope do Parlamento e que houve uma falsificação de um mail, com alteração do destinatário.
Três dias depois, Adelino Cunha envia novo SMS ao ex-diretor do SIED convidando-o para beber um café ao final da tarde do dia seguinte. As comunicações entre ambos dão a entender que esse encontro se concretizou no hotel Tivoli.
Depois de combinado o encontro, Silva Carvalho informa ainda Adelino Cunha que o vai contactar através de um telefone fixo.
No dia 13 de Setembro, logo pelas 8:00, Adelino Cunha envia uma nova curta mensagem a Silva Carvalho também via telemóvel a informá-lo de que uma notícia tinha sido congelada.
Dois dias depois há nova comunicação entre ambos e é referido que a missão está cumprida e que o caso do envelope violado está publicado em todos os jornais.