O vice-primeiro ministro, Paulo Portas, disse esta quarta-feira ser sensível, no âmbito das funções que desempenha no Governo «aos que decidem arriscar no momento de transição da economia», realizando investimento.

De acordo com a Lusa, Paulo Portas falava na assinatura do contrato de investimento do grupo Portucel Soporcel com a AICEP, para a ampliação da fábrica de Cacia, onde vão ser investidos 56 milhões de euros para aumentar a capacidade produtiva, inteiramente destinada à exportação.

De acordo com Diogo Silveira, presidente da comissão executiva da Portucel, o grupo foi o segundo maior exportador em Portugal em 2013 e com o investimento em Cacia aumentará em 20% a capacidade de produção de pasta de eucalipto de 294 para 353 mil toneladas/ano e em 30 milhões de euros as exportações anuais.

Em 2013, as exportações do grupo atingiram os 1.215 milhões de euros, o que representa cerca de 3% das exportações nacionais, tendo como destino 118 países dos cinco continentes. O investimento na fábrica de Cacia, além de melhorar as condições ambientais do processo fabril, vai criar 10 novos empregos especializados diretos e cerca de 290 postos de trabalho indiretos.

«Temos de acarinhar os investidores nacionais e estar abertos ao investimento estrangeiro, porque só com investimento se reduz o desemprego», disse o vice-primeiro-ministro, considerando que uma taxa de desemprego de dois dígitos é ainda alta, apesar de no último trimestre se ter situado já nos 14,6%.

«Há um ano, cada vez que era criada uma empresa encerravam duas e hoje por cada uma que fecha há duas empresas que são criadas», comentou.

Insistindo que o investimento «é o indicador mais crítico» da economia, Paulo Portas salientou que este cresceu mais de 12% no primeiro trimestre, facto que associou ao «supercrédito» fiscal e ao início da redução do IRC.

«Abandonámos a recessão técnica e temos a ambição de ter um ano completo de crescimento em 2014, mas é necessário acelerar a recuperação da competitividade e prosseguir com o aumento das exportações», disse.

Para Paulo Portas, «o país está a seguir a direção certa, e mesmo na exportação de bens e serviços os números do turismo na Páscoa colocam Portugal na moda como destino», o que deve ser protegido.

Sobre o contrato celebrado com o grupo Portucel Soporcel, o vice-primeiro-ministro considerou tratar-se de um investimento relevante por gerar maior produtividade, melhor qualidade ambiental, criar emprego e aumentar as exportações.

Paulo Portas destacou que «uma economia muito assente em pequenas e médias empresas precisa também de empresas com escala, como é o grupo Portucel Soporcel, pelo efeito de "canguru" nas exportações», que envolve as pequenas e médias empresas.

Quanto ao grupo, vincou ser o segundo maior exportador nacional e o primeiro em valor acrescentado, já que usa matérias-primas nacionais e, com o investimento que vai fazer em Cacia, «permite perceber que o mundo rural não é passado, mas futuro, e que permite fazer tecnologia de alta qualidade».