O movimento Estado Islâmico (EI) divulgou um vídeo, esta segunda-feira, mostrando, aparentemente em Kobani, o fotojornalista britânico John Cantlie, refém dos jihadistas, numa reportagem de propaganda que visa demonstrar que o grupo radical continua ativo nesta cidade síria.

O jornalista, de 43 anos, é mostrado numa cidade em ruínas, falando para a câmara e dizendo que os ‘mujahidine’ (combatentes islâmicos) não recuaram. 
 
Não existem elementos que indiquem a data em que o vídeo foi filmado, mas Cantlie faz referência a informações da cadeia britânica BBC divulgadas a 17 de outubro e a declarações do porta-voz do Pentágono, John Kirby, no dia anterior.
 
Cantlie acusa os orgãos de comunicação social ocidentais de veicular informações falsas sobre uma alegada retirada dos radicais islâmicos e vai mais longe, afirmando que os combates em Kobani estão longe de ter terminado.
 
O britânico refere que os jihadistas têm agora uma presença na cidade maior do que nunca, controlando as regiões a este e sul de Kobani e que, ao contrário do que diz o Ocidente, a ofensiva norte-americana não tem impedido o avanço dos radicais no «coração da cidade».  
 
Enquanto as imagens aéreas, que terão sido captadas por um drone do exército jihadista, evidenciam o rastro de destruição em Kobani, Cantlie assegura  que mais de 200 mil sírios já terão fugido da região devido à guerra.
 
 
 
Estados Unidos gastam 8,3 milhões por dia na luta contra o Estado Islâmico
 
A notícia do novo vídeo chega no mesmo dia em que o pentágono anunciou que os Estados Unidos gastam diariamente 8,3 milhões de dólares (6,5 milhões de euros) com a campanha aérea contra o grupo Estado Islâmico na Síria e no Iraque, valor que tem aumentado.


Desde o início dos ataques aéreos norte-americanos a 08 de agosto no Iraque, as operações custaram 580 milhões de dólares (456,7 milhões de euros), segundo o capitão-de-fragata Bill Urban, porta-voz do Ministério da Defesa norte-americano.

Até agora, o Pentágono calculava o custo diário da sua campanha aérea em cerca de sete milhões de dólares (5,5 milhões de euros), mas, segundo um responsável que não quis ser identificado, o ritmo das missões intensificou-se nas últimas semanas.

Ainda assim, analistas independentes consideram aqueles números muito baixos, como é o caso de Todd Harrison, especialista do Centro de Avaliação Estratégica e Orçamental (CSBA) em Washington, segundo o qual a campanha poderá custar entre 2,4 e 3,8 mil milhões de dólares (1,8 e 2,9 mil milhões de euros) por ano.

De acordo com Harrison, os voos de reconhecimento são os que mais pesam no orçamento da operação «Determinação Absoluta».

O voo de um ‘drone’ (avião não tripulado) Predator ou Reaper, por exemplo, custa 1.000 dólares (787 euros) por hora, enquanto um Global Hawk, um ‘drone’ de vigilância capaz de voar bastante mais alto, tem um custo horário de 7.000 dólares (cerca de 5.500 euros).