O Ministério alemão do Interior anunciou, esta sexta-feira, que 18 dos 31 detidos por suspeitas de roubo e de agressão sexual na noite de Ano Novo, em Colónia, têm pedidos de asilo pendentes, de acordo com a informação da Reuters. 

Em conferência de imprensa, o Governo alemão confirmou a presença de refugiados e requerentes de asilo nos incidentes de Colónia, depois de a polícia local, responsável pela segurança na rua, afirmar que cerca de mil homens, a maioria com traços “árabes e do norte de África”, se reuniram em frente à estação e, em grupos mais pequenos, agrediram sexualmente e roubaram mais de 100 mulheres.
 
De acordo com o porta-voz do Ministério do Interior, Tobias Plate, dos 31 suspeitos identificados no interior da estação central de comboios e numa faixa de 30 metros em torno desta - da competência da polícia federal - nove eram argelinos, oito marroquinos, quatro sírios, cinco iranianos, um iraquiano, um sérvio, um norte-americano e dois alemães.
 
A polícia de Colónia elevou esta sexta-feira para 170 as denúncias pelos incidentes da Passagem de Ano, das quais 117 são agressões sexuais – duas delas de violação. Há 21 pessoas a serem investigadas por agressões sexuais nessa noite.
 
A polícia da cidade deu também conta da prisão de dois carteiristas, de 16 e 23 anos, naturais de Marrocos e da Tunísia, respetivamente, e que poderão ter tido também envolvimento nos ataques da noite de Fim de Ano.
 
Um órgão de comunicação alemão, citado pela BBC, referiu que a polícia terá encontrado no bolso de um dos suspeitos frases em árabe, com tradução em alemão, como “belas mamas”, “vou-te matar”, “quero ter sexo contigo”.
 

Governo demite chefe da polícia de Colónia

 
A polícia local de Colónia não deu dados concretos sobre a respetiva atuação naquela noite e está no centro da maioria das críticas. O chefe da polícia local foi “dispensado dos seus serviços”, referem a Euronews e a imprensa germânica, citada pelo jornal britânico “The Guardian”.
 
Wolfgang Albers, o chefe da polícia de Colónia, foi criticado pela ausência de resposta dada às situações de violência verificadas na cidade. Um relatório policial confidencial, que foi publicado na imprensa germânica, relata que os agentes da polícia não tiveram inicialmente capacidade de resposta perante as agressões sexuais e os roubos levados a cabo nessa noite.
 

“Não havia polícias suficientes, na estação nem em volta dela, para lidar com este grupo preparado para usar a violência. Mas a polícia não pode ser censurada por isso, porque era impossível de prever”, explica à Euronews o responsável pelo sindicato da polícia da Renânia do Norte-Vestefália, Arnold Plickert.

“Não devemos ir pelo caminho mais fácil e dizer que as pessoas de outras culturas têm outra visão sobre as mulheres e que isto aconteceu por isso. Há homens – muçulmanos, católicos, protestantes, budistas – violentos e nós temos de resolver isso”, diz uma representante da associação Lobby für Mädchen.
 

Defender o Estado de Direito

 
O porta-voz da Chancelaria alemã, Georg Streiter, insiste na necessidade de investigar a fundo o que aconteceu em Colónia e aplicar todo o rigor da lei aos agressores, reiterando a mensagem feita nos últimos dias pela chanceler, Angela Merkel.
 
Para Merkel, não esclarecer todos os pormenores do que aconteceu prejudica o Estado de Direito, mas também a grande maioria dos candidatos a asilo que procuraram refúgio na Alemanha.
 

“O que as mulheres sentiram neste caso, a sensação de estarem à mercê das pessoas sem qualquer proteção, também é intolerável para mim, pessoalmente. Portanto é importante que tudo seja colocado em cima da mesa (…). Temos também de continuar a falar sobre a nossa coexistência cultural na Alemanha e o que as pessoas esperam e com razão é que às palavras se sigam as ações”, afirmou.

 
O porta-voz da Chancelaria confirma que é necessário refletir sobre a atual legislação e estudar também as possibilidades legais de expulsão do país de condenados estrangeiros, um dos debates abertos no país após a agressão de Colónia.
 
Semelhantes à situação de Colónia poderão ser os ataques em Hamburgo, Estugarda, Finlândia, Áustria e Suíça. Em Helsínquia, a polícia recebeu informação de que grupos de requerentes de asilo estariam a planear assediar sexualmente mulheres na noite da Passagem de Ano. Foram detidos três requerentes.