Um tribunal francês absolveu esta segunda-feira dois polícias por falta de auxílio a dois rapazes que morreram eletrocutados.

Bouna Traore, de 15 anos e Zyed Benna, de 17, morreram numa subestação elétrica dos arredores de Paris após um jogo de futebol.
 
O caso, que ocorreu em outubro de 2005, chegou ao fim quase dez anos depois, com a absolvição dos dois agentes por não terem prestado auxílio a pessoas em perigo.

Um terceiro rapaz sobreviveu com queimaduras.

A morte dos adolescentes ficou marcada por vários tumultos e manifestações em França, com edifícios incendiados e centenas de detidos.

A acusação baseava-se na alegada frase de um dos polícias que terá dito que “se entraram ali, dificilmente sairão vivos”, mas o juiz do tribunal superior entendeu que o próprio agente não podia saber a dimensão dos perigos inerentes ao local. A mesma conclusão tinha tomado um outro juiz, em 2012, da qual houve recurso. Agora, e depois de cinco dias de julgamento, está confirmada a inocência dos agentes e daqui já não há recurso. 

Se fossem acusados dessa falta de auxílio, os polícias podiam enfrentar uma pena de prisão que iria até aos cinco anos de cadeia.

Os dois homens suspiraram de alívio embora, segundo o advogado, sempre tivessem tido o “consciência tranquila”.


Já o irmão de uma das vítimas mostrou-se desiludido com a sentença, considerando que os “os polícias são intocáveis”, como cita a BBC.


Em janeiro, após os ataques extremistas islâmicos, o primeiro-ministro Manuel Valls assumiu a necessidade de uma maior integração das comunidades e acabar com os “guetos”.