O Governo da província moçambicana da Zambézia pediu, esta terça-feira, a responsabilização criminal dos operadores das embarcações naufragadas há um mês, depois de um inquérito das autoridades marítimas indicar negligência.

Dois naufrágios fizeram pelo menos 41 mortos e dezenas de desaparecidos em meados de junho e princípio de julho na Zambézia, provocados por «superlotação das embarcações», associada à falta de medidas de segurança e mau tempo.

«Além de acidentes, o relatório do inquérito conclui haver matérias criminais, que deverão seguir seus trâmites nas instâncias respetivas, procuradoria e tribunal», declarou à Lusa Alberto Manharage, diretor provincial dos Transportes e Comunicações da Zambézia.

Três embarcações que fazem a ligação entre a cidade de Quelimane, capital da Zambézia, e o distrito de Chinde, onde aconteceram os naufrágios, disse, foram submetidas a inspeções, de que resultou a recomendação de se corrigir as medidas de segurança a bordo, como o uso de coletes salva-vidas e extintores.

«Os operadores devem rever o sistema de segurança de navegabilidade para se fazerem ao mar com passageiros a bordo. Só depois de cumprirem com a segurança serão autorizados a voltar ao mar», precisou Alberto Manharage.

O Governo voltou a abrir o trânsito fluvial na rota Muari-Dea, mas reforçou a fiscalização das seis paragens intermédias naquela rota, para o controlo da lotação das embarcações e o cumprimento das medidas de segurança.

O controlo será feito por fiscais dos Conselhos Comunitários de Pescas (CCP), em coordenação com o Instituto Nacional da Administração Marítima (INAMAR) de Moçambique.

A 11 de junho uma embarcação naufragou ao fazer a ligação Muari-Dea, na região de Chinde, matando 21 pessoas, tendo outras 15 desaparecidas. Já a 07 de julho, um novo naufrágio fez 20 mortos em Muendene, na mesma região de Chinde, e desde então não foi divulgada a atualização dos números.

O Governo admitiu «dificuldades em identificar o número exato das pessoas que estavam a bordo», porque as embarcações recolheram mais passageiros ao longo das paragens intermédias, depois de tem zarpado de Quelimane.