Yusra Mardini, atualmente com 18 anos, faz da natação a sua vida e foi a nadar que garantiu a sobrevivência. Os dias agora passados numa piscina de Berlim, na Alemanha, são menos agitados do que as águas do Mar Egeu, por onde Yusra e a irmã nadaram até alcançarem a costa grega, depois dos motores do barco de borracha de onde partiram, na Turquia, pararem a meio da travessia. Foram três horas e meia dentro de água. “Fiquei a odiar o mar”.

Yusra, refugiada síria, percorreu vários países, até chegar a Berlim. A nadadora encontrou na Alemanha um porto de abrigo, mas não quer parar por aqui. A próxima paragem é o Rio de Janeiro, no Brasil, e representar uma equipa de refugiados de vários países, sem bandeira, mas com a Síria no coração.

Quero ser a representante de todos os refugiados porque quero provar que depois da dor e da tempestade, vêm dias calmos”.

Os dias de Yusra Mardini dividem-se entre a piscina e a escola. A jovem treina ininterruptamente há cinco meses para conseguir entrar na equipa de natação que vai aos Jogos do Rio de 2016.

 

Syrian Refugee Eyes Rio Olympics

“I want to represent all the refugees because I want to show that after the pain and the storm comes calm days.” Syrian refugee Yusra, 17, is training in Germany to compete at The Olympic Games this summer, as a Rio 2016 Refugee Olympic Athlete. She has already swum to save her life and others - after her overcrowded boat from Turkey failed, she swam to Lesvos, Greece. Yusra's determination and strength saved the lives of 20 other refugees. From Greece, Yusra and her sister traveled through Europe to Germany, where she now trains daily, with a focus on qualifying for Rio."I want everyone to do what they feel in their heart even if it’s impossible,“ she says. “The war will stop and I will go back with experiences, and I will teach everyone what I had here.”Read more: http://tracks.unhcr.org/2016/03/syrian-refugee-eyes-rio-olympics/

Publicado por UNHCR em Sexta-feira, 18 de Março de 2016

 

Longe vai o tempo em que Yusra e a irmã brilhavam como nadadoras de excelência em Damasco, na Síria, mas a guerra atravessou-se no percurso destas jovens atleta. Em agosto de 2015, a família decidiu que já não podiam continuar a viver no país e resolveram fugir. Da Síria para o Líbano, do Líbano para a Turquia.

Quando, finalmente, conseguiram chegar à Europa, os problemas não acabaram. Entre a Grécia e a Alemanha, Yusra e a irmã passaram por Sérvia, Macedónia, Hungria e Áustria.

Perderam tudo e ganharam a solidariedade de quem lhes deu roupa e a crueldade de quem não as deixou passar ou as roubou. Muitos daquele grupo de refugiados ficaram pelo caminho, como contou à Associated Press.

Depois de conseguir refúgio num abrigo de Berlim, a sua vida mergulhou numa nova mudança. Um tradutor egípcio colocou-a em contacto com um clube de natação local. Esta sexta-feira, o nome de Yusra Mardini foi um dos anunciados pelo Comité Olímpico Internacional, como parte de uma lista preliminar de atletas refugiados que pode chegar ao Rio em 2016. A lista final será revelada em junho.