A imprensa chinesa confirmou, esta quarta-feira, que o Presidente chinês, Xi Jinping, e o líder de Taiwan, Ma Ying-jeou, vão reunir-se no próximo sábado, em Singapura. Este é o primeiro encontro entre os dois países rivais, desde o fim da guerra civil chinesa, em 1949.

De acordo com a Reuters, o Presidente taiwanês já emitiu um comunicado, afirmando que o encontro serve apenas “para manter o status quo” e que não serão assinados quaisquer acordos com a China.

Um porta-voz do governo chinês, Zhang Zhijun, disse que a reunião serviria para “trocar perspetivas sobre a promoção de um desenvolvimento de relações pacífico com o Estreito de Taiwan”. O comunicado emitido declara também que os dois líderes jantarão juntos e que devem ter um encontro informal.

Esta decisão parece vir de encontro à política de aproximação de Ma Ying-jeou à China. Desde que o presidente tomou posse, em 2008, que tem expandido e fortalecido os laços económicos com a o país vizinho.

A reunião inesperada está a levantar questões sobre se o encontro terá alguma estratégia política por trás. O mandato do presidente taiwanês acaba no final deste ano e as eleições vão ter lugar em janeiro de 2016.

As sondagens apontam que o Partido Nacionalista pro-China, o Kuomintang (KMT), do qual faz parte Ma Ying-jeou, está atrás do Partido Democrático Progressivo (DPP), que defende a independência do país.

O líder do partido da oposição, Tsai Ing-wen, já veio a público dizer que ficou “muito surpreendido” com o anúncio e que “fazer com que as pessoas soubessem dele de uma maneira tão caótica está a danificar a democracia taiwanesa”.
 

“Como é que as pessoas podem não pensar que trata-se de uma operação política para afetar as eleições?”, perguntou o porta-voz do DPP.


Contudo, a jogada política pode não correr como esperado. O sentimento anti China está a crescer em Taiwan, sobretudo entre os mais jovens. A juventude taiwanesa teme uma aproximação do país vizinho e de perder a independência, o que pode custar votos ao KMT.

Um grupo de ativistas protestou, esta manhã, em Taiwan, contra o encontro entre os dois líderes.
 

“Qualquer reunião entre a China e Taiwan seria sempre delicado, mas a aproximação das eleições taiwanesas adiciona ricos políticos complementares para os dois lados”, explicou John Ciorciari, da Universidade de Michigan, à Reuters. “Ma Ying-jeou e Xi Jinping estão sem duvida preocupados com o facto da reunião poder ajudar Tsai Ing-wen a expandir a liderança junto do eleitorado taiwanês”, acrescentou