O chanceler austríaco, Werner Faymann, demitiu-se esta segunda-feira. A decisão surge duas semanas depois de o partido ter sido derrotado na primeira volta das eleições presidenciais, em que a extrema-direita obteve um resultado recorde.

A 24 de abril, o candidato do partido ultranacionalista FPÖ, Norbert Hofer, venceu a primeira volta das presidenciais com 35,3% dos votos. A segunda volta será disputada por Hofer e pelo ecologista Alexander Van der Bellen.

Os candidatos da coligação governamental, formada pelo partido social-democrata SPÖ e pelo democrata-cristão ÖVP, os dois grandes partidos de poder desde 1945, ficaram afastados da segunda volta.

O resultado inédito teve consequências para as duas forças políticas. Do lado dos sociais-democratas, a legitimidade de Faymann já estava a ser questionada.

Está prevista para esta segunda-feira uma reunião dos órgãos do partido social-democrata.

Faymann, de 56 anos, chanceler desde dezembro de 2008, confirmou a demissão, que tem efeitos imediatos, justificando com a falta de apoio dentro do partido. 

O país precisa de um chanceler que tenha o apoio do partido", disse aos jornalistas em Viena, avançando que ainda não está determinado quem será o seu sucessor. "Este Governo precisa de um novo começo".

A segunda volta está marcada para 22 de maio.

Em relação às eleições parlamentares, estão agendadas para 2018, mas a imprensa austríaca já especula que possam ser antecipadas. O líder do Partido Popular da Áustria, Reinhold Mitterlehner, já disse, no entanto, que não vê motivo para a convocação de eleições antecipadas apesar da renúncia do chefe do governo e do Partido Social-Democrata.

Werner Faymann era o chefe de governo europeu em funções há mais tempo, a seguir a Angela Merkel.