Um jornalista norte-americano do «Washington Post» foi acusado de espionagem e outros três crimes graves no Irão. Jason Rezaian, correspondente do jornal em Teerão, foi detido há cerca de nove meses.

Além do crime de espionagem, segundo o próprio «Washington Post» que cita informações obtidas pela advogada, Leila Ahsan, e transmitidas à família do jornalista, Rezaian foi acusado de «colaborar com governos hostis» e de «propaganda» contra o governo iraniano. A acusação refere também que o correspondente reuniu informação confidencial «sobre a diplomacia interna e externa» e disponibilizou-a a «indivíduos com intenções hostis».

Mais, os documentos referem ainda que Rezaian escreveu ao Presidente Barack Obama, utilizando essa situação como exemplo de um alegado contacto com um «governo hostil».
 
O tribunal de Teerão onde o caso vai ser julgado ainda não divulgou as acusações oficialmente.  A advogada terá sido a única pessoa fora da esfera judicial a ter acesso aos documentos e, esta segunda-feira, num encontro com o jornalista, revelou as acusações que Rezaian enfrenta. 

Questionada pelo jornal, Leila Ashan recusou entrar em detalhes sobre o caso, uma vez que «o julgamento ainda nem sequer começou». No entanto, afirmou que as acusações estão relacionadas com o trabalho de investigação inerente à atividade jornalística e que os documentos não contêm «provas» que justifiquem as acusações.

«O Jason é um jornalista e faz parte da natureza da sua profissão ter acesso à informação e publicá-la. O meu cliente, no entanto, nunca teve acesso direto ou indireto a informação confidencial para a poder partilhar.»


O jornalista de 39 anos, que tem dupla nacionalidade, iraniana e norte-americana, foi detido há nove meses, a 22 de julho, Este foi o único encontro com a advogada que lhe foi concedido. Está preso no estabelecimento de Evin, onde se encontram a maioria dos presos políticos.