O comissário europeu para a Saúde, Vytenis Andriukaitis, defendeu esta segunda-feira uma «vigilância absoluta» para evitar a propagação da xylella fastidiosa, uma bactéria mortal para as oliveiras que surgiu no sul de Itália.

Vytenis Andriukaitis anunciou que vai deslocar-se «muito em breve a Itália» para examinar a eficácia das medidas para conter essa praga, que surgiu em outubro de 2013, que ameaça também a vinha e os citrinos, e para fazer um balanço da situação junto dos agricultores.

A União Europeia «segue de perto» a situação e «incentiva uma abordagem de precaução», através da erradicação das árvores afetadas, disse o comissário perante a Comissão de Agricultura do Parlamento Europeu.

Contudo, de acordo com Bruxelas, a Itália, que identificou uma área de 241.000 hectares em situação grave na região meridional de Apúlia, tem deixado deteriorar a situação.

O Comité Fitossanitário Permanente da União Europeia deve ponderar a aplicação de novas medidas na sua próxima reunião, a 26 e 27 de março, num momento em que França, Espanha e Portugal exigem regras mais duras para a prevenção.

Na província de Lecce, na Apúlia, as análises realizadas até agora «sugerem que pelo menos 10%» das cerca de 11 milhões de oliveiras ali existentes estão afetadas, revelou o comissário, segundo o qual, sob o ataque da bactéria, para o qual não há ainda cura, as árvores murcham, podendo as vinhas e as árvores de citrinos europeias tornar-se «hospedeiras» do parasita.

Os avisos colidem, porém, com a resistência italiana ao abate de oliveiras centenárias e, numa carta enviada ao comissário europeu para a Saúde, a associação eco-pacifista Peacelink cita estudos científicos que apontam outros fatores envolvidos na devastação dos olivais e alerta que «a Comissão Europeia corre o risco de condenar à morte todo o ecossistema da Apúlia» com base em estudos errados.