O senador dos EUA John McCain escreveu um texto num site russo no qual acusa o Presidente Vladimir Putin de ser um tirano repressor da oposição e que não acredita no seu povo.

Este republicano, que foi candidato presidencial em 2008, acusou Putin e os seus associados de realizarem eleições fraudulentas, prender e assassinar opositores, fomentar a corrupção e «destruir» a reputação da Federação Russa à escala mundial.

«Não sou anti-russo», escreveu McCain, no seu artigo no Pravda.ru. «Sou pró-russo, mais pró-russo do que o regime que vos desgoverna», acentuou.

Na semana passada, McCain disse que queria escrever um artigo de opinião para a imprensa russa, depois de Putin ter aparecido no The New York Times.

O site Pravda.Ru não é conhecido como uma fonte noticiosa séria e não tem nada a ver com o jornal homónimo, publicado pelo Partido Comunista, que foi a publicação mais importante na era soviética, mas que desde então caiu na obscuridade.

Alguns observadores disseram que a empresa editora Pravda.ru é apoiada pelo Kremlin, que também gere sites na internet que são claramente pró-Putin e cheios de histórias negativas sobre a oposição.

O artigo de McCain foi enviado para as duas publicações com o nome de Pravda, informou o seu gabinete.

Putin disse hoje que não leu o texto de McCain, mas gozou com o seu desejo de aparecer no Pravda, dizendo que isso mostrava a sua falta de conhecimento da Rússia.

«O facto de ele querer ser publicado particularmente no Pravda (...) mostra que tem falta de informação», gozou Putin, ao falar com membros do Valdai Club, que junta analistas internacionais da Federação Russa.

«O seu nível de circulação no país é mínimo», justificou Putin.

O Presidente russo disse que teria recebido com agrado McCain na discussão anual promovida pelo Valdai da política e identidade russa, realizada na região de Novgorod, no noroeste.

Disse ainda que tinha sabido de uma oferta para McCain aparecer no popular canal 1 da televisão russa.

No seu artigo, Putin criticou Obama pela intenção de bombardear o seu aliado Síria, reclamou tempo para o plano russo de controlar o arsenal químico sírio e atacou Washington para «depender apenas da força bruta» na condução dos seus assuntos internacionais.

No contra-golpe, brutal e por vezes pessoal, escrito com mais de 800 palavras, McCain garantiu que não má vontade para com o povo russo, criticando o governo de Moscovo por ignorar os «direitos inalienáveis» da humanidade à vida, à liberdade e à procura da felicidade.