O presidente russo, Vladimir Putin, admitiu, pela primeira vez, a presença de “especialistas militares” russos no leste ucraniano, ressalvando, no entanto, que isso não significa tropas no sentido convencional.

Esta quinta-feira, durante a conferência de imprensa anual concedida pelo presidente a jornalistas russos e internacionais, Putin foi questionado por um repórter ucraniano sobre a presença russa na Ucrânia, depois de dois soldados russos terem sido capturados pelo Governo de Kiev, que vão agora enfrentar julgamento.

“Nunca dissemos que não havia pessoas [na Ucrânia] responsáveis por certas tarefas, que incluem a esfera militar. Mas isso não significa que há tropas [convencionais] russas lá, entendam a diferença.”


Como escreve o The Guardian, este revés no discurso de Putin não é inédito em relação à Ucrânia. Já aquando da anexação da Crimeia, em 2014, o presidente russo tinha inicialmente descartado a possibilidade da presença de tropas russas no território, tendo mais tarde admitido que, de facto, estes estiveram envolvidos.

No entanto, Putin esclareceu que a Rússia está “pronta” a tentar persuadir os separatistas do leste ucraniano a tentarem encontrar uma solução política que coloque fim ao conflito.

Putin acrescentou, ainda, que a Ucrânia - país que o presidente russo voltou a apelidar de “república irmã” - não vai sofrer sanções comerciais por parte da Rússia devido ao acordo entre a Ucrânia e a União Europeia, ainda que seja expectável que as trocas comercias “piorem”.

Durante a conferência de três horas, Putin foi, também, questionado sobre as relações do país com a Turquia, depois do abate do avião militar, que alegadamente violou o espaço aéreo truco na fronteira com a Síria.

Putin voltou a rejeitar a ideia de que se tenha tratado de um acidente, já que a Turquia informou a NATO sobre o sucedido, antes de falar com a Rússia.

“Alguém no Governo turco tentou lamber os americanos num certo sítio, não sei se os americanos precisavam disso”.


Já sobre a atual situação na Síria, e os ataques aéreos russos, Putin avançou que as operações militares vão continuar até que um processo político comece. Em suma, a Rússia só deverá interromper os ataques quanto os sírios decidirem que é tempo de parar os combates e iniciar o diálogo.

“Não vamos ser mais sírios que os sírios”, disse Putin.