Um inquérito parlamentar vai ser aberto nas Filipinas devido às alegações de que centenas de sem-abrigo foram deslocados para serem «escondidos», durante a visita de cinco dias do Papa Francisco ao país.

A responsável pela pasta da segurança social das Filipinas, Dinky Solomon, confirmou que 340 pessoas de 100 famílias sem-abrigo foram deslocadas do resort Roxas Boulevard, em Manila, para outro local a cerca de 90 quilómetros. As famílias só regressaram depois da partida do Papa.

Agora, os deputados da Câmara dos Representantes querem esclarecer se foram usados cerca de 97.600 dólares (cerca de 86.420 euros) de fundos públicos para uma formação de seis dias que teria como objetivo afastar os sem-abrigo das ruas. Durante esta formação, que decorreu no resort Nasugbu, em Batangas, as famílias foram ensinadas a viver numa casa, mas, segundo o deputado Terry Ridon, que vai liderar o inquérito, o verdadeiro propósito era «escondê-las» durante a visita papal.

Ridon vai mais longe e considera que o episódio demonstra a «maneira frívola» como o governo implementa programas anti-pobreza.

Quando questionada sobre o assunto, Solimon afirmou que as famílias foram deslocadas para uma formação que já estava prevista há algum tempo. De acordo com as suas declarações, governo considerou que o período da visita papal era o momento ideal para essa formação.

«Para preparar a chegada do papa os governos locais queriam ter a certeza que Roxas Boulevard era um sítio seguro, dado o aumento do número de sem-abrigo na área. Quando falámos com as famílias em causa, pensámos que o período de 15 a 19 de janeiro era a altura certa.»


A formação fazia parte de um programa do governo que é descrito no site oficial como «um programa de assistência às famílias de rua, providenciando acesso a serviços sociais e oportunidades económicas no sentido de melhorar as suas condições de vida».

A pobreza e as desigualdades sociais foram, de resto, um dos tópicos que o líder da Igreja Católica abordou durante a sua visita a Manila.

«É preciso quebrar as correntes da injustiça e da opressão que dão origem a desigualdades sociais óbvias e realmente escandalosas», disse Francisco no palácio presidencial.


Mas Ridon garante que esta não é a primeira vez que o governo tenta esconder a pobreza no país. O deputado afirmou ainda que durante o Forum Económico Mundial para a Ásia Oriental que decorreu em Manila, no ano passado, foi implementada uma iniciativa semelhante.