Se o Brasil tenta combater o Zika com os militares na rua e muito inseticida, o governo de São Salvador chamou outro exército para a guerra ao vírus que já foi declarado uma situação de emergência mundial por parte da Organização Mundial de Saúde.

Eduardo Espinoza, vice-ministro da Saúde de São Salvador, disse, numa carta ao New York Times, no dia 4 de fevereiro, que, para além do tratamento de águas, inseticidas e mosquiteiras, estão a ser levados a cabo “mecanismos biológicos de controlo, que incluem ter tanques de peixes que comem mosquitos em casa. Estes têm sido um sucesso, com base na premissa de que toda a sociedade tem de se unir no esforço de eliminar o mosquito que transmite o Zika”. Nas casas, escolas e restaurantes, um aquário pode fazer a diferença.

Também em Cali, na Colômbia, foram fotografados, na quarta-feira, os peixes salvadores, que podem acabar com o vírus.

As fotografias captadas pela Reuters mostram os peixes guppy num aquário com larvas do mosquito portador do vírus. Estes peixes, cujo nome científico é poecilia reticulate, alimentam-se de larvas de aedes aegypti, pelo que se tornam num controlo biológico da praga.

 

 

Segundo um laboratório de estudo da doença, em La Libertad, El Salvador, os peixes também são eficazes nos casos de dengue.

O Zika constitui uma ameaça à saúde na América do Sul, com milhares de casos registados em dezenas de países, para além do risco de importação da doença. Face à evolução e gravidade da propagação do vírus, a Organização Mundial de Saúde declarou o Zika uma situação de emergência mundial, no início de fevereiro, ao estimar um número entre os três e os quatro milhões de infetados com o vírus nos próximos tempos.

Numa altura em que o aparecimento de bebés com microcefalia ou a síndrome de Guillain-Barré pode estar relacionado com grávidas infetadas com o vírus, as consequências do Zika podem ganhar uma dimensão ainda maior.

Bebé com microcefalia (Foto Reuters)

O governo de El Salvador aconselhou as mulheres salvadorenhas a não engravidarem antes de 2018, mas, como disse Julio Morales, diretor de um hospital de São Salvador, “é mais fácil eliminar colónias de futuros mosquitos do que travar o desejo das pessoas de virem a ser mãe ou pai”, como cita o Breitbard.