Os testes com vacinas experimentais contra o Ébola foram, esta quinta-feira, suspensos depois de alguns voluntários terem acusado efeitos secundários imprevistos.
 
Em comunicado citado pela Associated Press, o Hospital Universitário de Genebra, na Suíça, anunciou a suspensão dos testes, iniciados em novembro com 50 voluntários, «como medida de precaução». Os investigadores registaram quatro casos de dores ligeiras nas articulações das mãos e dos pés em pessoas que foram submetidas à vacina num período entre 10 a 15 dias antes.

A diretora geral adjunta da Organização Mundial de Saúde (OMS) confirmou a suspensão dos testes clínicos da vacina. Falando numa conferência de imprensa realizada no quadro do encontro de alto nível sobre a construção de sistemas de saúde resilientes nos países afetados por Ébola, Marie-Paule Kieny anunciou à imprensa que os Hospitais Universitários de Genebra (HUG) pararam os testes clínicos da vacina esta quinta-feira de manhã.

De acordo com a responsável, os médicos dos HUG preferiram suspender o estudo algumas semanas devido a dores imprevistas nos dedos em alguns dos 50 voluntários que foram vacinados até hoje.

«Houve um fenómeno imprevisto. Alguns voluntários tiveram pequenas inflamações nas articulações dos dedos. Portanto, houve uma decisão que é melhor para a segurança deles», declarou.


Por outro lado, esta pausa vai permitir aos médicos compreender, analisar a razão das dores e observar a sua frequência.

«É uma pausa para compreender o que se trata e logo recomeçar», explicou a  diretora geral adjunta da OMS.


Para  Marie-Paule Kieny, foi um problema imprevisto, mas no fundo não é algo novo porque acontece em caso de infeções virais.

«Não estou preocupada. Não é um passo atrás. O ensaio foi realizado de acordo com as medidas de seguranças e boas práticas médicas», declarou.


A vacina experimental contra o ébola foi desenvolvida pelo Governo canadiano e recebeu a aprovação licenciada de dois laboratórios norte-americanos, o NewLink e o Merck.

Prevê-se que os testes sejam retomados em janeiro, na cidade suíça de Genebra.