As autoridades belgas vão fazer, a partir de segunda-feira, controlos sanitários aos viajantes dos países afetados pelo vírus Ébola, à semelhança de outros países europeus, anunciou hoje o novo primeiro-ministro, Charles Michel.

Numa entrevista ao canal televisivo RTL, o governante anunciou que os viajantes provenientes de países afetados pela epidemia vão ser controlados na chegada à Bélgica, como já acontece em França e no Reino Unido.

Na quinta-feira passada, os ministros da Saúde da União Europeia não chegaram a acordo sobre a aplicação em todos os países do controlo da temperatura nos aeroportos a passageiros provenientes de países com ébola.

Ministros dos negócios estrangeiros da UE reúnem-se na segunda-feira

Os ministros europeus dos Negócios Estrangeiros vão reunir-se na segunda-feira, no Luxemburgo, numa altura em que aumenta a pressão para responder à epidemia provocada pelo vírus Ébola, que poderá ser o «desastre da geração».

Citado pela agência France Presse, um diplomata da União Europeia afirmou que a Grã-Bretanha espera «galvanizar a ação da Europa», já que é um país que enviou um navio da Marinha para Serra Leoa com profissionais e equipamento médico.

«Há o sentimento real de que temos que lidar com a situação agora. Se conseguirmos lidar no país, não teremos que lidar com a situação em casa», comentou o diplomata, que informou haver planos de apoio dos Estados Unidos para a Libéria, Grã-Bretanha para a Serra Leoa e da França para a Guiné Conacri.

A organização não governamental Oxfam, que trabalha na Libéria e Serra Leoa, lançou o aviso que a epidemia pode «tornar-se o desastre humanitário desta geração» e tem solicitado mais ajudas.

Para segunda-feira está marcada uma reunião de ministros dos Estados-membros da UE responsáveis pelos Negócios Estrangeiros, presidida pela alta representante para os Negócios Estrangeiros e a política de Segurança, Catherine Ashton.

Em discussão no Luxemburgo estarão temas como o Ébola, Líbia, Iraque/Síria/Estado Islâmico, processo de paz no Médio Oriente/faixa de Gaza e Ucrânia. Portugal está representado pelo ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete.

A epidemia já provocou mais de 4.500 mortos, em cerca de 9.200 casos, a maioria dos quais na África ocidental, mas casos isolados sugiram na Europa e nos Estados Unidos.

A Libéria tem sido o país mais atingido, com mais de 4.200 casos, dos quais resultaram 2.484 mortes, até 13 de outubro.