O abate, na quarta-feira, do cão da auxiliar espanhola que está infetada com ébola, coloca questões sobre se os animais de companhia poderão ser ou não um foco de transmissão do vírus. O diretor do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças nos Estados Unidos refere que já se sabia que macacos, morcegos, antílopes e um conjunto de outros animais podem espalhar o vírus do ébola. Agora surge a preocupação de que cães - ou um cão em particular – possam espalhá-lo, também. Thomas Frieden sublinha que não há nenhum caso documentado em que uma pessoa tenha sido infetada por um cão, mas admite que é preciso considerar «todas as possibilidades», já que eles podem ser portadores do vírus.

«Pelo menos um grande estudo sugere que os cães podem ser portadores do vírus do ébola, sem apresentar sintomas. Os pesquisadores testaram os cães em 2001-02, durante o surto de ébola no Gabão, depois de verem alguns deles a comer animais mortos infetados. Dos 337 cães de várias cidades e aldeias, entre 9 a 25% apresentaram anticorpos para o ébola, um sinal de que eles foram infetados ou expostos ao vírus», refere o especialista, em entrevista à Associated Press.

Thomas Frieden sublinha que «ninguém sabe realmente» qual é o risco para as pessoas. O médico informa que experiências feitas em laboratório com outros animais sugerem que a urina, saliva ou fezes do animal podem conter o vírus. «Isso significa que, em teoria, as pessoas podem contraí-lo através de um cão infetado, que lamba ou morda um ser humano», conclui. 
 
Questionado sobre se o abate em Espanha de Excalibur, assim se chamava o cão da auxiliar de enfermagem, terá servido o interesse da ciência e da saúde pública, o diretor dos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças nos EUA responde que «não necessariamente». Mas Thomas Frieden ressalva que «não é claro» que, se o animal tivesse sido colocado de quarentena, em vez de ser abatido, isso teria sido uma medida eficaz, «já que os cães infetados não apresentam sintomas, e não se sabe quanto tempo o vírus pode durar neles».

Thomas Frieden cita Peter Cowen, um veterinário da Universidade Estadual da Carolina do Norte que assessorou especialistas em saúde global sobre os riscos de doenças de infeção animal, para dizer que as autoridades espanholas exageraram ao administrarem eutanásia ao cão Excalibur. «Em vez disso, eles realmente deveriam tê-lo estudado», afirmou. 

O especialista refere-se à circunstância de ser ter abatido um animal que podia ter sido uma fonte de informação para ajudar o homem a conhecer a alegada transmissão cão-homem, já que se sabe que o homem transmite a doença ao animal - nomeadamente quando o canídeo se alimenta de cadáveres infetados -, mas não se o contrário é possível.

«O risco de que os cães possam espalhar ébola é muito pequeno nos EUA ou noutros lugares onde os cães não estão perto de cadáveres ou comem animais infetados», remata Thomas Frieden, citando a porta-voz da American Veterinary Medical Association, Sharon Curtis Granskog.